Museu da Pesca 35 – Vídeo “O Mundo das Iscas Artificiais” parte 01

O que são iscas artificiais? A utilização desses artefatos vinha se popularizando com rapidez espantosa, graças ao desenvolvimento da pesca esportiva, motivado por revistas de pesca e programas de televisão, assim como dois peixes que alavancaram o mercado e ajudaram nessa evolução, o Black Bass e o Tucunaré.

A ideia nasceu entre os amigos João Carlos de Souza Neto, o Feijão, o Guilherme Antonio Abduch, o Guila, e eu.

Tivemos alguns problemas em sua realização, passando pelo sítio do Guila e pelo apartamento da sogra do Feijão, principalmente porque teoricamente eram ambientes controlados. Ledo engano, cuja história fica para outra vez.

Mas foi um vídeo gostoso de fazer, porque foi entre amigos. Lançamos esse vídeo em 1993. Não era um vídeo ensinando a pescar com iscas artificiais, isso foi feito antes pelo vídeo “Introdução à Pesca com Iscas Artificiais”, produzido pela ASK Vídeo e apresentado pelo Gustavo dos Reis Filho, o Gugu.

O nosso abordava os diversos tipos de iscas e também tudo que estava relacionado com essa modalidade e fazia parte integrante e importante dessa prática, com depoimentos de pescadores atuantes na mídia.

Naqueles tempos eram comuns reuniões nas lojas de pesca aos sábados, quando não estávamos pescando, onde encontrávamos todo tipo de pescadores, experientes e principiantes, onde as conversas giravam sempre em torno das iscas e equipamentos mais usados, mas raramente sobre os periféricos, como bonés, óculos polarizados, passaguás, alicates, etc., esquecendo que eram itens fundamentais e necessários para a realização de nosso hobby. A relação de periféricos era enorme. Para os iniciados, sem problemas, mas para os iniciantes achamos boa ideia tentar mostrar tudo que estivesse envolvido numa pescaria dita esportiva, embarcada ou desembarcada. O cenário era vasto e importante conhecer.

O diferencial na prática era o gosto pessoal do pescador, mas de resto as necessidades eram universais.

Naquela época não tinha Manguitos, Pernitos, Buffs, Crocks, Luvas, Multifilamentos e Fluorcarbon, nem tampouco uniformes vistosos, por isso não aparecem nesse vídeo. Existiam os multifilamentos e fluorcarbon, mas não conhecíamos ninguém que usasse.

Explicando que muitos peixes não eram pescados com iscas artificiais por serem de fundo, como o jaú, por exemplo, o Toninho da Aruanã fala nesse vídeo o motivo, que uma variedade de peixes não era pescada porque não tinha como fazer as iscas chegarem até eles e não devido o peixe não aceitar. Mal sabia ele que viria pela frente os Jumping Jigs, camarões com jighead, etc., acabando com o sossego dessas espécies.

Nós mesmo não éramos especialistas, fizemos o vídeo com base na nossa experiencia e no bom senso. Já faz muito tempo que lançamos esse vídeo, 1993. De lá para cá o que mudou? Teremos oportunidade de verificar.

Por ser muito extenso, mais uma vez iremos por partes. Aqui vai a primeira.

Museu da Pesca 34 – Vídeo “Tucunaré o Gigante da Amazônia” parte 03

Como disse antes, não usávamos linhas exageradamente finas em nome da dita pesca esportiva, pois durante a briga corríamos o risco de estressar o peixe e levá-lo à exaustão, além da possibilidade de arrebentar a linha e deixá-lo escapar com a isca na boca. Todos esses fatores podiam comprometer sua sobrevivência, mas o fato é que cansei de achar iscas perdidas na briga com o peixe, às vezes um quilometro longe do ponto onde a linha arrebentou.

Durante os anos que frequentei a Amazônia só duas vezes achei tucunaré morto nos locais da pesca, indicando que o peixe tinha escapado na luta mas não sobrevivido à devolução às águas ou fuga. Considerando que normalmente ficávamos na mesma região de pesca durante a semana toda, a devolução do peixe praticando o pesque e solte ou fuga durante a briga comprovava que os danos colaterais eram desprezíveis.

O tucunaré nunca foi um peixe tão frágil assim, pois sobrevivia a agressões muito mais sérias que um anzol, como mordidas de boto, jacaré, ou outro predador qualquer, desde que o manuseio do peixe fosse feito com cuidados e sem abusos.

O Tupana é um lugar que deve ser conhecido, considerando as memórias daqueles tempos. Se alguém tiver informações dos dias atuais, gostaríamos de saber.

Museu da Pesca 33 – Vídeo “Tucunaré o Gigante da Amazônia” parte 02

A menor distância entre dois pontos é a distância entre um tucunaré e sua presa, e essa distância não é medida em metros, mas em emoção. Essa é a principal razão da paixão dos fãs do tucunaré, sem dúvida, mas não só os ataques às iscas traduz esse fato, os rebojos são também muito especiais, pois embora não quebrem a tranquilidade das águas com suas explosões, excitam nossa imaginação, na expectativa do ataque iminente, que nem sempre acontece, sem sabermos qual o tamanho do peixe e qual a hora do ataque.

Em dias nublados encontrávamos às vezes exemplares enormes em águas surpreendentemente rasas, em pontos que normalmente desprezaríamos. Ficamos atentos a isso devido os ensinamentos do grande pescador Gilberto Fernandes, que em seu livro “A Pesca no Amazonas” nos dá essa dica, pois ondulações na superfície podiam indicar grandes tucunarés caçando. Por outro lado, esses tucunarés também podiam estar se protegendo nesses raseiros se houvesse movimentação de botos por perto.

O Tupana foi um dos belos pontos de pesca que conheci, não só por sua beleza como também pela fartura de peixes. Não sei como está hoje em dia, mas para sempre ficarão comigo as lembranças daqueles peixes e daqueles lugares.

Em 1996 lançamos finalmente o vídeo “Tucunaré – O Gigante da Amazônia”, na Feipesca. Voltei muitas vezes ao Tupana, graças à ajuda inestimável do Luiz Saburo, que Deus o tenha.