Testamos a Titan Evolution

Depois de muito ouvir falar, tanto das qualidades quanto dos defeitos do lançamento recente da fábrica Marine Sports, a nova versão da já popular carretilha Titan, (agora Titan Evolution) tivemos interesse em testá-la em campo. Para tanto, resolvemos adquirir uma carretilha já usada, pois achamos interessante ao abrirmos um equipamento já usado para examinar, teríamos idéia do nível de desgaste e oxidação das peças internas caso houvesse. A carretilha foi adquirida de um de nossos participantes do Fórum Pesca-NE, e foi usada tanto em água doce quanto água salgada (mangues), e segundo o antigo proprietário, nunca havia sido aberta para uma manutenção mais minuciosa.

Para nossa surpresa, logo ao abrirmos a tampa lateral onde fica o sistema de freio magnético, notamos que o rolamento é do mesmo tamanho e marca da carretilha Shimano Citica 201D.                     

Rolamento tampa lateral Titan EV 6000 em comparação…
A Tampa lateral Citica 201D e…
Rolamento tampa lateral Citica 201D (mesma marca da Marine Sports Titan EV)

Notem que a inscrição (NMB) do rolamento da tampa lateral da Titan EV é a mesma do rolamento da tampa lateral da carretilha Shimano.

Antes de executarmos o teste (já que se tratava de uma carretilha usada), deveríamos abri-la completamente, principalmente para examinar as condições dos rolamentos, e para nossa surpresa, todos estavam em boas condições e sem sinal de corrosão.

Isto porque, muitos que compram carretilhas da marca, reclamam da qualidade de seus rolamentos dizendo que não aguentam água salgada.

Rolamentos da tampa de engrenagens e sintonia fina  Titan EV 6000, livres de oxidação
Rolamento carretel Titan EV 6000, livre de oxidação
Rolamento Anti-reverso Titan EV 6000livre de oxidação

É bastante obvio que não se podem esperar rolamentos de altíssima qualidade num equipamento de custo bastante atraente (como rolamentos de alta performance tipo: CRBB, AR-B etc.), nem tampouco rolamentos de péssima qualidade. Ao que nos pareceu, os rolamentos que equipam a carretilha são de qualidade satisfatória, e com um mínimo de cuidado na manutenção toda vez que se chegue principalmente de pescarias de água salgada, garanto que teremos rolamentos em condições para anos de uso, procedimento este, mesmo se não for feito em carretilhas com rolamentos “Top”, esses rolamentos oxidam e travam do mesmo modo que rolamentos mais baratos. E olhem que já vi muita carretilha top de linha e marcas renomadas com rolamentos oxidados e travados devido ao mau uso e falta de manutenção. O procedimento recomendado é que a cada pescaria em água salgada, deve-se lavar a carretilha e depois lubrificar principalmente os rolamentos do carretel, tampa do freio magnético e do botão de sintonia fina com uma gota de óleo fino, pois são os rolamentos mais expostos a ação da água salgada.

E mesmo que a oxidação ocorra, a facilidade de encontrar bons rolamentos à venda na maioria de casas especializadas em rolamentos é grande (exceto rolamentos anti-reversos) e a qualquer momento podem ser substituídos facilmente.

O próximo passo seria examinarmos as engrenagens, para verificar se não havia sinais de desgastes, condições da graxa e se havia contaminação das peças pela salinidade. Depois de constatado que todas as peças estavam em perfeito estado, lavamos e re-lubrificamos a carretilha completamente para a execução dos testes.

Engrenagens da Titan EV velocidade de recolhimento 6.2:1 em excelentes condições de uso,
mesmo após algum tempo sem manutenção

O Teste

Testamos a Titan EV em duas situações, uma em pesca de Robalos nos mangues de Barra do Cunhaú e outra em pescaria de água doce na lagoa de Extremoz.

Pinchamos o dia todo com a carretilha, e no quesito conforto, demonstrou suavidade nos lançamentos e maciez no recolhimento com boa velocidade (6.2:1) indispensável quando se pesca com iscas artificiais, aliado ao peso reduzido que uma carretilha de chassis em grafite proporciona.

Vale salientar que não conseguimos capturar bons peixes para atestar a qualidade de sua fricção mais profundamente, mas, em simulação manual, não notamos anomalias significativas como: liberação de linha “aos trancos”. (os indesejáveis “soquinhos” na gíria do pescador)

Seu sistema de freio magnético aliado à regulagem do botão de sintonia fina, proporcionou bom controle no arremesso de iscas mais leves evitando assim as terríveis cabeleiras.

E para finalizar, aprovamos sem restrição a nova carretilha da Marine Sports Titan EV. E recomendamos para aqueles iniciantes ou não, que não podem investir muito e que mesmo assim, procuram um equipamento de boa qualidade a preço justo. Confesso que até eu gostei bastante de ter usado este equipamento, e há algum tempo a carretilha Titan EV, já faz parte de minha tralha de pesca juntamente com minhas Shimanos de estimação.

A Titan EV 6000 pode ser encontrada no mercado a um preço médio de R$ 130,00, sem dúvida, o melhor custo benefício na categoria “carretilhas de chassis em grafite”,  já que na categoria “carretilhas de chassis em alumínio” temos a Daiwa Advantage 153L que gira em torno dos R$ 250,00 a R$ 280,00.

Outras características:

  • Relação de recolhimento 6.2:1
  • 5 rolamentos de esferas
  • 1 rolamento de roletes (infinito anti-reverso)
  • Carretel de alumínio aliviado
  • Guia linha revestido com titânio
  • Sistema de freio magnético
  • Capacidade de linha: (mm-m) 0,37mm – 115 m.

Neste teste utilizamos linha multifilamento da Marine Sports Vexter 20 lbs e vara Shimano Clarus 5′,6″ pés, 17 libras, e iscas de 5 a 11 gramas de marcas variadas.

Zé Rosa e a caçada de Paca

Estávamos, eu o Alessandro, o Juba e o Guiga, acampados às margens do rio Carú, na reserva biológica do Gurupi, extremo oeste da Amazônia Maranhense, preparados para uma permanência de uns dez dias na região. A viagem, de dois dias navegando os rios Pindaré-Mirim e Carú, apesar de cansativa, tinha sido simplesmente espetacular. Era só o início de uma grande aventura. O lugar é maravilhoso e a exuberância da floresta amazônica permite a rara possibilidade da perfeita interação com a natureza. Apesar de local ainda deserto e extremamente adverso, tínhamos como vizinhos mais próximos os índios Awá/Guajá da aldeia Cayuáua, mas recebíamos esporadicamente alguns nativos da região que sem nenhum esforço subiam o rio por várias horas a remo para nos fazer uma visita. Na sua maioria, vinha por curiosidade ou para obter algum material de pesca, como anzóis e linhas, tomar um café, tudo muito raro naquelas bandas.

Certo dia, estávamos todos no acampamento num daqueles momentos preguiçosos e relaxantes, quando um ribeirinho já nosso conhecido, desembarca com algumas melancias para nos presentear e na sua companhia um senhor de postura simplória típica do sertanejo da região. Foi nos apresentado como Zé Rosa, conhecido e destemido caçador da região. Nos cumprimentamo-nos e em seguida oferecemos uma bebida, um vinho de catuaba, que costumamos levar apenas para essas circunstâncias. Conversamos algum tempo sempre falando sobre a região. Parecia muito à vontade entre nós e sem muita cerimônia, após o segundo gole, começou a contar alguns causos e, entre tantos, nos contou o seguinte:

Na região, um outro grande caçador, cuja alcunha não deixava dúvidas: Zé paca, estava pela primeira vez em toda a sua vida, enfrentando dificuldades na caçada de uma determinada paca. Seus cães exímios caçadores estavam o decepcionado. Zé paca os levava no carreiro da bicha manhosa, conseguiam localizá-la, persegui-la mas não a alcançavam. Era muito rápida na carreira pelo mato e, pós alguns minutos de perseguição, pareciam junto ao seu dono ofegantes e cortados por cipós, quase suplicando a desistência da infrutífera missão. As tentativas foram muitas e por vários dias seguidos. A paca, a essa altura famosa pelas redondezas, era muito rápida e sagaz, como um corisco zig zagueando pela vereda. Zé paca sentiu-se profundamente ferido no seu amor próprio e até um pouco humilhado. Afinal a fama de paqueiros dos seus cães era notória e percorria toda a reserva. Inconformado, pressionado, mas relutante, atendeu aos conselhos dos amigos. Um pouco constrangido, procurou o Zé Rosa, o nosso visitante. Zé Rosa dispensava apresentações! Seus dois cães eram mestres na perseguição de caças. Não havia nenhuma animosidade entre eles. Eram muito amigos e até compadres. Mas que ficava um clima desagradável, isso ficava! Mas Zé Paca foi logo ao assunto:

— Cumpadi Zé Rosa… — e narrou detalhadamente a história da paca que de tão astuciosa e veloz nunca era alcançada pelos seus cães. Zé Rosa escutou atentamente, soltou uma baforada do seu cigarro de fumo bruto, passou a mão carinhosamente sobre a cabeça de um de seus cães e com um pouco de desdém e empáfia, respondeu decisivo:

— Então vamu atráis dessa bicha agora!

Com um estalar de dedos chamou Carrasco e Sultão. Os dois cães magros, todavia, caçadores natos, até então cabisbaixos sonolentos, entenderam a mensagem com o balançar frenético dos rabos e imediatamente tornaram-se altivos e inquietos. Rumaram todos para o local da mata onde vivia a tal paca. No caminho, Zé Rosa reafirmava as virtudes dos seus cães.

— Cumpadi Zé Paca, manda cumadi. Nonata botá a panela nu fogo que rapidinho vamu cumê uma paca. Se Carrasco e Sultão num pegá a bicha, corto os bagos dos dois!

Chegando ao nicho da desafeta e, alertados pela ansiedade dos cães, Zé Rosa com os gritos de estímulos soltou-os. A carreira foi feia e o pipocar dos galhos, paus e cipós era ouvido de longe. Ficaram parados numa pequena clareira e sentados sobre os calcanhares e relaxaram. Os latidos que anunciavam a busca, repentinamente passou para o de localização e perseguição. (os latidos dos cães são diferentes para cada situação nos explicou ele). Zé Rosa, orgulhoso anunciou:

— Lá vem a bicha compadre si aprepare!

O barulho e os latidos aproximavam-se cada vez mais. Dito e feito, a paca passou a menos de três metros de onde estavam. Mas muito à frente dos cães. Naquela velocidade era impossível Carrasco e Sultão alcançarem-na.

— Óxente! Quê diabo é isso? Esbravejou Zé Rosa decepcionado. — e lá vinha ela novamente correndo em círculos perseguida pelos cães. Quase deitados ao chão, para tentar uma visão mais ampla entre as arvores e arbustos, puderam divisar sem nenhuma dificuldade uma cena inusitada e inacreditável.

— Vi com esses zóio que a terra há de cumê! — assegurou Zé paca empolgado prosseguindo com o relato.

Na carreira, a paca sempre que se via ameaçada pelo Carrasco e Sultão, já muito cansada, virava de costas num giro horizontal de 180º e continuava a correr sempre imprimindo mais velocidade. Ela tinha quatro pernas sobressalentes nas costas. Enquanto quatro pernas corriam, quatro estavam descansando. Essa foi a grande descoberta dos dois compadres. A princípio ficaram incrédulos e indignados. Mas Zé Rosa não se deixou abater. Chamou de volta Carrasco e Sultão que continuavam na perseguição. Os dois cães ofegantes com a língua para fora e com os corpos feridos no triscar de galhos e cipós ficaram em posição e deitaram-se aos pés do seu dono. Zé Rosa não titubeou. Sacou de seu facão rabo de galo e rapidamente cortou duas embiras de titica na árvore mais próxima e testou sua resistência com uma lapada num tronco ao chão e com a ajuda do compadre Zé paca, amarrou Carrasco e Sultão espinhaço com espinhaço. Um prá baixo outro pra riba, quatro patas no chão e quatro para cima.

— Agora quero ver a fia de uma égua escapá! — deu voz de comando e lá se foram os dois cães atrelados meio desequilibrados, porém rapidamente, adaptaram-se à criatividade do caçador e tomaram rumo mata adentro. Retomaram a caçada. Carrasco carregando Sultão de barriga para cima e pernas para o ar. Não demorou muito e desentocaram a paca. Zé Paca e Zé Rosa estavam em posição de fácil visualização e puderam notar perfeitamente quando a paca em velocidade virava revezando as pernas e desesperada percebia que os dois cães também o faziam num sincronismo perfeito. Não deu outra! A carrera foi curta. Antes que a paca desse o seu terceiro giro sobre si mesma, estava nas garras de Carrasco e Sultão. Juba o interpelou:

— Seu Zé Rosa, como é que os cachorros viravam no revezamento?

— Sei naum sinhô, mas que o desmantelo foi grande foi!

Ainda não tínhamos retomado o fôlego do acesso de risos. Não pudemos evitar. Zé Rosa soltou a última baforada do seu porronca, cuspiu de lado e muito sério nos perguntou:

— Oceis num tão achando que é mentira minha não?

— Quê isso seu Zé Rosa! Claro que acreditamos. É que a história, além de verdadeira é muito divertida!

Antes de nossa total recuperação, Zé Rosa de início a outra história hilariante, mas essa fica para a próxima vez. Até hoje, passado um bom tempo, rimos muito quando um de nós lembra-se do Zé Rosa e seus causos verdadeiros.

Porta-anzol – Faça você mesmo!

Material:

1- Tubo de PVC 25mm (20 a 40cm)
2- Tampa de borracha de remédio injetável (lavada com detergente)
3- Lâmina de barbear.

É muito simples de se fazer esse porta-anzol, para anzóis encastoados. Basta encaixar a tampa de borracha no tubo de PVC 25mm e iniciar os cortes para o encaixe das pernadas. Normalmente se faz 30 cortes na tampa de borracha.

Material
Tampa de borracha
Corte na tampa
Porta-Anzol pronto