De volta ao Mutuca 02
Como falei no capítulo 01, o primeiro grupo a entrar no Mutuca foi a “Turma dos Chegados”, da qual faziam parte o Guila e eu.
Com esse destino já incluído em nossa programação, no ano seguinte coube ao grupo do Romeu Konell e Gildo Hornburg abrir a temporada naquele local.
Naquele tempo as pescarias no Miss Bebel já estavam operando com a inclusão de guias piloteiros em cada embarcação. Anteriormente, as duplas de pescadores não contavam com esse serviço. A coisa foi evoluindo e a necessidade de guias acompanhou o processo. Normalmente usávamos pessoal da região, que íamos treinando para atender os clientes.
Nessa pescaria fiquei responsável pela dupla Romeu/Gildo, pois já conhecia um pouco a região, mas foi nessa ocasião que conhecemos juntos o rio Jatuarana, afluente do Mutuca.
Recebi o pessoal de madrugada no porto e partimos. Na primeira noite o pessoal fez questão de conhecer os jacarés da região, para entrar no clima, e na manhã seguinte estávamos a postos para iniciar a aventura haliêutica.
Sempre gostei de gravar minhas pescarias por esse Brasil afora, menos quando era guia, por força de ofício, ou então por estar com equipamento quebrado. Nessa ocasião atendia os dois requisitos.
Por sorte o Romeu tinha levado uma câmera Hi8mm, e perguntou se eu podia gravar a pescaria. A partir daí acumulei as funções de guia e cinegrafista, ambas com prazer. O único problema foi que ele tinha levado apenas 4 fitas, de uma hora cada, e assim deixamos de gravar muitas capturas, mas o resultado foi excelente. Tempos depois, já em Jaraguá do Sul, ele me enviou as fitas para copiar e assim não perdi o registro dessa aventura.
A seguir vou postar as pescarias por partes, para não cansar, e qualquer dúvida estou à postos para esclarecer.
De volta ao Mutuca 01
Como o tempo voa… A vida passa muito rápido, e ao nos darmos conta, parece que estamos assistindo um “trailer” do passado. Nem tudo é revelado, mas basta para ligar o botão da saudade…
Em 1998 tivemos o primeiro contato com o rio Mutuca, numa das datas reservadas ao “Grupo do Chegado”. Nessa ocasião o planejado era pescar no rio Nhamundá, divisa entre Amazonas e Pará, mas lá chegando o rio estava muito alto, escondendo suas praias, engolidas pelas águas, e ainda por cima uma chuva que não dava esperanças de melhorar. Depois de uns dois dias por lá, descobrimos que estávamos na data errada. Paciência, voltamos… Apesar da distância até Manaus, nosso grupo tinha sempre uns dias a mais do que os normalmente programados, pois escolhíamos datas que tivesse folgas na agenda.
Sem muitas opções, escolhemos um ponto perto de Manaus, o rio Mutuca, distante de barco umas 14 horas. Por estrada, incluindo um translado de balsa, umas 4 horas. Achamos um pouco povoado, e tivemos alguns problemas na pescaria devido rejeição e proibição de alguns moradores, mas isso é outra história, que fica para outra vez, como dizia Júlio Gouveia ao final dos capítulos do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, exibido pela TV Tupi nos anos dourados…
Uma pequena “piscadela” e “voamos” para 1999, recebendo o grupo de Romeu Konell e Gildo Hornburg, de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Essa pescaria foi a expressão máxima do que é pescar na Amazônia, que originou matéria de capa da revista “Troféu Pesca”. Nos anos seguintes acabou virando DVD com o título “Um Rio Chamado Mutuca”.
O tempo passou, mudei para Natal, e em novembro de 2019, vinte anos depois, estava como sempre vendo os acontecimentos do dia no computador, quando recebo uma mensagem pelo You Tube, de um tal de Tarcísio, pedindo meu WhatsApp e falando comigo como se me conhecesse.
Fiquei desconfiado e pedi para me avivar a memória, pedindo desculpas…
Respondeu que era do Mutuca e morava atualmente em Manaus, e que pescou comigo e o Guila como piloteiro no barco do Sabá, o Miss Bebel, e estava procurando muito nosso contato.
Era o Tatá, nosso piloteiro mirim, na época com 14 anos. Tem hoje uma pousada no Mutuca e combinamos uma pescaria para 2020, onde mataria as saudades do pessoal e da região.
Aí chegou a pandemia e mudou nossos panos, mas o sonho não morreu, e finalmente estamos prontos para mais uma vez navegar por aquelas águas, em outubro de 2022, se Deus quiser, onde darei uma pausa na minha aposentadoria e gravarei mais uma aventura naquele paraíso.
Como não sou egoísta, vou compartilhar com meus amigos as lembranças daquele passado, preparando terreno para a próxima produção da “Turma do Chegado”, onde teremos uma boa amostra do que era e do que é atualmente.
Vou postar imagens conhecidas e outras que não foram usadas, aos poucos, tipo conta gotas, para não ficar cansativo e do tamanho desse texto.
Por enquanto é só!
Cardoso Pesca
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