Museu da pesca 17 – Arraial do Cabo 03

Em uma de minhas pescarias em Arraial, já na água azul, vi uma vez um barco ao longe brigando com um grande peixe, que dava pulos espetaculares ao seu redor. O Humberto explicou que era um anequim, o mais rápido dos tubarões, e o único que pulava fora d`água quando fisgado. Acabamos marcando uma pescaria do Mako (anequim), com outros pescadores conhecidos do Humberto.

Nessa temporada meu filho tinha 10 anos e tinha participado de algumas pescarias conosco. No dia anterior à pescaria do tubarão, bem longe da costa, estávamos corricando quando ouvimos um estrondo atrás do barco. Olhamos assustados e só vimos a espuma e o turbilhão, ocasionado por algo muito grande caindo na água. Era uma baleia, que em seguida passou ao lado do barco, uns 20 metros, mostrando sua corcova e emitindo sons que mais pareciam um lamento. Continuou seu caminho e logo desapareceu à distância, nos brindando com seu canto. Talvez fosse uma despedida ou um cumprimento, sei lá…

Meu filho, que estava voltado para a popa, viu tudo e achou muito legal. Eu, pelo contrário, fiquei bastante amedrontado, tanto que no dia seguinte, pescaria do tubarão, resolvi não levar ele no barco. Até hoje ele não me perdoou…

O Marquinho era meio franzino e quando pescava um dourado eu ou um dos amigos o segurava pela cintura, com medo dele ser arrastado pelo peixe para a água. Ele adorava.

Nessas imagens temos lembranças da pescaria do Mako e também de pescaria de bonitos e enchovas na “Ponta do Focinho”, são flashes apenas. A pescaria do Mako e de outras espécies está mais detalhada e explicada em meu livro, aqui o espaço é pequeno para isso.

Essa é a parte final das imagens gravadas com filmes em Super 8 mm.

Museu da Pesca 16 – Arraial do Cabo 02

Continuando nossa pescaria, mais algumas informações. Como no verão a corrente do Brasil se aproximava da costa, trazendo espécies frequentadoras das águas azuis, e nosso foco sendo o dourado, marcávamos as férias e ida para Arraial nos meses de janeiro e fevereiro. O Ismar já era frequentador do local há algum tempo, e era quem organizava tudo, como aluguel da casa onde ficávamos e também contato com o Humberto, nosso guia.

Íamos com as famílias, e o grupo era formado pelo Ismar, pelo Conrado, pelo Nelson Turri, e eu, além de algum convidado de ocasião. Um deles era meu amigo da Ericsson, o Luiz Renó, companheiro constante de fins de semana nas pescaria pelo litoral de São Paulo.

Vamos às imagens, mas antes informar aos amigos que essas pescarias em Arraial tiveram seus melhores momentos no início dos anos 80, e por uns três anos fizeram nossas delícias. Voltamos alguns anos depois, já na era dos VHS, onde novamente fomos atrás dos dourados, e conseguimos captar algumas imagens com melhor qualidade, que mostraremos aos amigos oportunamente.

Museu da Pesca 15 – Arraial do Cabo

Aproveitando o clima de nostalgia ao recordar antigas aventuras, lembrei-me das pescarias de dourado do mar feitas em Arraial do Cabo, início dos anos 80.

Devo ao Ismar minha iniciação nas águas azuis. Como já contei, conheci o Ismar no balcão da loja Gonçalves Armas, e logo era um dos meus companheiros nas pescarias com iscas artificiais. Ele, sem dúvida, estava na minha frente, e entre uma pescaria e outra na cachoeira do França, ficava ouvindo ele falar das maravilhas que era pescar no mar aberto, no litoral do Rio de Janeiro, mais precisamente em Arraial do Cabo.

De tanto ouvir suas histórias, comecei a me entusiasmar e a me programar para acompanhá-lo em sua próxima viagem.

As saídas para as pescarias eram efetuadas no Porto do Forno e na Praia dos Anjos, em embarcações tipo baleeiras.

O nosso guia era o pescador Humberto, velho conhecido do Ismar.

Nos meses de verão a corrente do Brasil se aproxima de Arraial do Cabo, trazendo junto um dos mais belos e valentes guerreiro do mar, o “dourado” (Coryphaena Hippurus). Além de saboroso é um grande lutador, com muita resistência. Quando menos se espera, ao se errar o passaguá ou bicheiro para embarcá-lo, sai em disparada novamente, traçando uma reta perfeita na superfície da água, levando embora toda a linha que o pescador pacientemente recolheu, recomeçando tudo novamente. São muito fortes e velozes.

Costumam circundar o barco depois de fisgados, chegando às vezes a completar 360° em seu passeio, traçando uma circunferência perfeita. Briga no fundo, à meia-água, na superfície, de todas as maneiras, dando saltos espetaculares sem se entregar. Atende todas as expectativas de um pescador esportivo.

Na Praia dos Anjos há duas saídas para o alto mar. A mais usada é pelo Boqueirão, situado entre a Ilha de Cabo Frio (Ilha do Farol) e o continente (Pontal do Atalaia), e a outra saída é pela Ponta Leste.

Saindo-se pelo Boqueirão, vira-se à esquerda em direção à Ponta do Focinho, onde está localizado o farol. Da Ponta do Focinho até a Ponta Leste temos sempre um mar bastante “picado”, batendo de frente nas rochas, em função dos ventos e das correntes.

Se você vai pescar com iscas naturais e ainda não as providenciou, aí é o lugar. Basta soltar um “penacho” no corrico e esperar a ferrada de um bonito, normalmente na faixa de 1 a 3 quilos. Isso se as enchovas não estiverem por ali. Se estiverem, será uma festa!

Estávamos no início dos anos 80, o conceito de “pesque e solte” era ainda incipiente. Não julguem essas imagens com os valores de hoje.

É um retrato de nossa caminhada através do tempo. Para minha própria satisfação, vou dividir as imagens em 4 partes, para não ficar muito cansativo, pois as imagens foram feitas com filmes “Super 8 mm”, ainda não existia VHS na época, e foram feitas para consumo próprio e para os amigos, motivo pelo qual estou compartilhando agora. Vamos à primeira parte: