Como fazer um Tatuí artificial
Olá amigos pescadores!
Um passo a passo de um tutorial ensinando a fazer “Tatuí artificial”, muito eficiente para pesca de pampos e outras espécies, na pescaria de praia.
Esta técnica que utilizei foi com recursos que tenho aqui em casa, mas fica ai a idéia, e cada um pode adaptar outras ferramentas para confeccioná-lo.
Lista de materiais:
01 – Estilete
02 – Pincel
03 – Lixa para acabamento nº 220.
04 – Tinta para tecido na cor laranja.
05 – Cola quente.
06 – Um esmeril “opcional”.
07 – Isopor, de preferência aqueles que usa em redes, pois são mais duros.
08 – Anzóis, eu uso da mustad 01 saltwarter.
Com o estilete ou uma faca bem afiada, cote o isopor para a modelagem, uma bóia destas que usam em rede de arrasto da para fazer 4 tatuís. Com o estilete comece a modelar o isopor ate o formato do tatuí. Uma outra idéia é usar aquela bóias para varas de bambu, é só cortar no meio e modelar.
Com a lixa ou o esmeril comece o acabamento, deixe o isopor bem liso, ate mais ou menos o formato de um ovo pela metade.
Faça um corte na parte lisa do isopor, para colocar o anzol.
Passe a cola quente primeiro no corte, e depois coloque o anzol. Pode-se usar araldite para colar o anzol. Com o estilete retire o excesso de cola.
Agora vamos pintar o tatuí, pinte na parte do anzol metade de cor alaranjado, deixando uma parte branca.
Na parte da casca do tatuí pinte umas bolinhas, o tatuí fica parecendo com uma joaninha, hehehe.
Pronto, fácil não?! Estou usando a cor laranja pois com esta cor deu certo, mas fica de cada um usarem a criatividade e fazer com outras cores. Este tatuí não fui eu que inventei, a ideia é de um cara do Rio de Janeiro que fabrica os tatuís. Quero agradecer a o amigo Adriano, que me apresentou esta dica.
Cobrinha cú-de-cana
Esta estória se passou há dez anos atrás, quando eu e meu primo Adriano fomos pescar na Lagoa do CATRE, hoje denominado BANT. Naquela época, minha pescaria era meramente artesanal, não investia muito em equipamentos, quer dizer, não investia nada em equipamentos; pescávamos mesmo com varejão de três metros, na tão famosa pesca de “pindaíba”, que segundo o nosso Aurélio, quer dizer “falta de dinheiro”.
Chegávamos por volta das 13h e ficávamos pescando uns tapacás, que naquela época já eram abundantes. Em pouco tempo, enchíamos uma enfieira, e como era de costume, já íamos tratando os bichinhos, para não ter que faze-lo em casa, até que chegasse a hora da verdadeira pescaria que tínhamos ido fazer. …a pesca da traíra. Naquela época, costumávamos pegar traíras de até três quilos. Era mesmo de tremer a vara, quando uma agarrava o anzol.
A lagoa não tinha suas margens tão devastadas, quanto é hoje. Havia muita vegetação e os juncos tomavam conta de toda a beira d’água, o que proporcionava ótimos pesqueiros.
Nesse dia, por volta das 17h, começamos a nos preparar para pegarmos as nossas primeiras traíras, pois já era hora boa. Como ninguém é de ferro, e precisávamos de algo que aquecesse a noite que já vinha caindo, levávamos uma garrafa de cachaça, que de trago em trago, já beirava o meio. Não demorou, e as primeiras traíras bateram nos anzóis, devidamente iscados com pedaços de tapacás. A noite começara a cair, quando ouvimos bem próximos, um tipo de som, muito parecido com miado de gato. Era quase um gatinho desesperado, e não parava um só instante. Aquilo me deixou nervoso e indaguei com meu primo, o que seria aquilo, que prontamente respondeu:
– Você nunca havia ouvido esse barulho?…é o barulho de um caçote sendo engolido por uma cobra.
– O que é um caçote? Perguntei de imediato!
– É um tipo de rã que fica na beira das lagoas, e que é a melhor isca para pegar traíra que eu conheço. Disse ele já se levantando, com a intenção de procurar a cobra, e capturá-la, para pegarmos o caçotinho para fazê-lo de isca.
Procuramos, por cerca de cinco minutos, seguindo o som do “miado” do caçote em meio aos juncos e encontramos o bichinho com a metade do corpo dentro do maxilar de uma cobra corre-campo de quase um metro de comprimento. A cobra estava imóvel, pois é assim que ela fica quando está se alimentando, e não teve a intenção de fugir; o que facilitou que a pegássemos e retirássemos de sua boca a pequenina rã.
Pequenina era o modo de dizer, pois a mesma tinha de largura de corpo quase três vezes a largura da cabeça da cobra. Para engolir a rã com todo aquele diâmetro de corpo, a cobra dilatou o maxilar para conseguir engoli-la e permaneceu assim por algum tempo quando retiramos o bichinho de sua boca. Ao ver aquela boca toda “arreganhada” quis fazer uma experiência e coloquei um gole de cachaça goela à dentro da cobrinha e a soltei no chão pra ver a sua reação que não foi outra; a cobra se contorceu por um instante e disparou para dentro do mato sem deixar vestígio. …após algumas risadas, por ver o desespero da cobra, cortamos o caçote em quatro pedaços e iscamos os anzóis com a certeza de pegarmos boas traíras.
Já quase escurecendo e com os anzóis na água à espera da fisgada, o silêncio do crepúsculo que até então só era quebrado pela cantiga de sapos e de grilos, foi estremecido por um som de um chicote, seguido do grito, quase de parto, de meu primo, que largou a vara da mão, pulou por cima do junco e caiu dentro d’água, com os olhos esbugalhados. Assustado, olhei para o local onde ele estava e fiquei perplexo ao ver aquela cena: a cobra que achávamos que tínhamos sacaneado, voltara com mais dois caçotes na boca, para trocar por mais uma dose de cachaça.
Daquele dia em diante, não nos faltou caçote para pegarmos traíra, pois fizemos uma parceria e sempre que íamos pescar, levávamos uma garrafa de cana e ao chegar na lagoa já encontrávamos com a cobrinha às margens com uma meia dúzia de caçotes já a nossa espera, até o dia que a encontramos morta, toda inchada, com os sintomas de cirrose.
Como ela morreu eu não sei, só sei que foi assim!
Vejam as fotos da bichinha!



Zé Bago e Óta (solucionado o problema)
(ler primeiro Zé bago e o touro do Pareia)
Óta e Zé Bágo recolheram uns novilhos no curral com o propósito de escolher um para substituir o que Zé Bágo inadvertidamente castrara apenas para comer os bago frito. Isso teria que ser feito de forma que o Pareia não desconfiasse, o que não seria muito difícil. Afinal, eram quase todos iguais, nelores, brancos e mochos. Apenas por precaução, teriam que apartar o que mais se assemelhasse com o infeliz desventurado. Selaram um acordo que, a permanecer tudo bem entre as partes, nada seria revelado ao patrão. Pacto de mútua confiança que, entre gente dessa estirpe nunca é desfeito. Zé Bágo agradecido, já nutria grande respeito ao companheiro que, condescendente evitara o prejuízo no primeiro salário ou até, porque não, o desemprego prematuro. Selecionaram, entre alguns, dois garrotes que na avaliação do Óta, nem o cão iria desconfiar ainda mais o Pareia. Por ora, faltava eleger o que seria juntado aos demais para futuros reprodutores da fazenda, talvez já para o próximo ano.
—Esse daqui tá com o zóio meio de banda e o espinhaço arriado.—ponderou Zé Bágo.— As venta tão muito seca! —concluiu Óta, decretando o futuro do preterido.
—Vamu dexá ele preso até amanhã, modi misturá com os outros.
O que ficara, foi examinado mais uma vez, de cima a baixo. Talvez a escolha fosse até melhor do que a do Pareia, afinal acompanhara o nascimento de todos eles e com a experiência acumulada durante anos e anos na profissão de vaqueiro, não poderia enganar-se. Até a marca a ferro estava na mesma posição, na parte de cima da paleta do lado esquerdo. Não tinha erro!
Alguns dias depois, no pouco tempo que lhes sobravam, Óta estava preparando um coalho para o leite de uns queijos, parte integrante da dieta na fazenda, quando notou por uma fresta da cozinha, um movimento suspeito de Zé Bágo. Saiu apressado para o quintal e viu o companheiro que, arqueado sobre uma pedra de amolar, próximo ao curral onde estava preso o novilho escolhido a dedo na tarde anterior, fazia movimentos rápidos de vai e vem com os braços afiando seu canivete de estimação. Óta disparou na direção de Zé Bágo e desesperado bradou:
—Ô corno fiu de rapariga, larga esse canivete de mão! Tu és doido é? Se capá o outro novilho eu arranco seus culhões também! Tu guarde esse canivete que aqui não vai capá mais boi nenhum! — esbravejou Óta de forma agressiva e hostil, como ainda nunca tivera presenciado Zé Bágo
—Num se avexe naum homi!—respondeu tranqüilo o vaqueiro, sem que parasse os movimentos. —Num vô capa boi nenhum naum! Só táva dando fio no canivete modi raspá umas tiras de couro!
—Ah bão! —suspirou aliviado o Óta, voltando ao trabalho, mas de olho na fresta da porta. Minutos mais tarde Zé bago se aproximou do companheiro, com jeitão de leso passando o polegar da mão direita sobre o gume da lâmina do canivete para testar o fio e puxô prosa:
—Tive arreparando uns garrote aculá prás banda do rio tudo bão de engordá.
Óta permaneceu em silêncio, fingindo não ter ouvido a insinuação, concentrado que estava no queijo que acabara de prensar na forma de pau de castanheira, o mió que há. Zé Bágo, não se deu por satisfeito. Sentou-se ao lado dos cachorros que cochilavam com as cabeças entre as patas e arriscou:
—Tô achando esses cachorro muito magro! Tá naum Óta? O côro chega tá desapregando do espinhaço—insinuando que os cães precisavam de comida e era óbvio que o menu teria que ter os testículos do gado, a pretexto de também se deliciar com o petisco.
—Oiá aqui Zé bago, tu cale essa boca! Num pensa em outra coisa não? Só capá boi, fiu de uma égua! Me deixe de mão homi!
—Tá bão, tá bão Óta! Mais que o bichinho tão só no osso, isso tão! Si tivesse uns bago modi fazê um cuzido prá eles…era bão!










