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Oceânica na Paraíba

O Nordeste é geograficamente privilegiado quando falamos de pescaria em alto mar. Isso porque o talude continental, local onde a profundidade cai de maneira abrupta, fica mais próximo da costa. Assim, precisamos navegar menos mar adentro para chegar aos pontos onde os peixes existem em maior quantidade. Entretanto, sofremos ainda com a parca estrutura montada para atender a prática da modalidade e, muitas vezes, temos que fretar embarcações de pescadores profissionais, cujo estado de conservação deixa a desejar. Esse cenário vem mudando e, ainda que timidamente, vemos surgir aqui e acolá iniciativas para implementar nosso esporte. É o caso da Paraíba que há pouco mais de seis meses conta com a Zagaia Pesca Oceânica.

Capitaneada pelo entusiasta da modalidade, Gustavo Adelino, a possante embarcação de 27,5 pés comporta quatro pescadores, além da tripulação, e é uma excelente opção para quem quer se aventurar e realizar pescarias em mar aberto com conforto e segurança. O bólido é equipado com dois rádios VHF, um fixo e um portátil, base em terra com apoio 24 hs, rastreador por satélite, GPS com carta náutica, sonar com alcance de 500 metros, salvatagem completa, refletor de radar, luzes de navegação, duas bombas de água de 1000GPH cada e guincho elétrico para âncora.

Nossa jornada começou as 4h30 da manhã, quando chegamos à marina Big Toys, porto onde a lancha do modelo Wellcraft 260 fica atracada. Depois de carregar os últimos suprimentos foi dada a partida no motor e seguimos pelo rio Paraíba até cruzar o porto de Cabedelo e entrar nas águas salgadas que banham a cidade. Cerca de uma hora e meia depois de nossa saída, chegamos ao primeiro pesqueiro, distante 30 quilômetros da costa.

Tudo necessário para expedição é fornecido por Adelino, desde varas e iscas até refeições apropriadas para o consumo no balançar das ondas. A primeira modalidade que experimentamos foi o corrico onde usamos plugs de profundidade e de meia água navegando a uma velocidade entre 12 e 15 km/h. Ao todo corricamos utilizando quatro varas com passadores de roldanas, especificas para esse fim, medindo de 1,70 a 1,90 metros. Para acompanhar o conjunto, carretilhas de perfil redondo abastecidas com 500 metros de monofilamento 90 libras. Nas duas varas laterais usamos iscas de meia água distantes aproximadamente 70m do barco e trabalhando a três metros da superfície. Já nos dois outros equipamentos, montados na parte central da lancha, colocamos iscas que atingem uma profundidade maior, oito metros.

Logo nos primeiros instantes da pescaria o sinal sonoro de uma das carretilhas toca denunciando o peixe fisgado. Alguns instantes de briga decorrem e, desta feita, a presa escapa sem mostrar a cara. Iscas na água de novo e, mais uma vez o alarme soa, entretanto, desta vez, não apenas em uma vara, mas em duas, simultaneamente. Com os pescadores mais atentos eis que sai a primeira foto. Duas pequenas, albacoras capturada com as iscas das varas laterais. E assim foi até as dez horas da manha, horário em que o sol começa a ficar mais fortes e os peixes migram para o fundo. Por isso, decidimos trocar de modalidade e passar a pescar com os Jumping Jigs.

 

Albacorinhas no corrico

Pargo capturado a 250 mts de profundidade

Para isso, seguimos rumo ao talude continental, conhecido pelos pescadores como “paredes”, onde começamos a “jigar” em um ponto com 250 metros de profunidade. Aqui, as carretilhas elétricas são fundamentais pois auxiliam no recolhimento de uma grande quantidade de linha e deixam o pescador com as mãos livres para movimentar iscas que pesam entre 150 a 400 gramas.  De resto, não há mistério. Basta deixar que o jig atinja o leito do oceano, travar a carretilha e ligar o botão que aciona a retomada de linha enquanto executa toques com a vara para emprestar à isca a sensação de um peixe ferido.

Em um outro pesqueiro testamos a efetividade da pescaria com pargueiras, algo muito semelhante a um chicote de praia, com o diferencial de usar equipamentos mais reforçados e um aparato luminoso que pisca ao contato com a água. O sistema é levado ao fundo por uma chumbada bem servida, no nosso caso, pesando um quilo. Iscamos os anzóis com filé de atum e sardinhas e depois que o sistema atinge o fundo do mar é só esperar sentir o peixe na linha para efetuar a ferrada. Fisgamos vários pargos de tamanho médio usando esta técnica. Mas vale ficar atento, pois o sistema é eficaz para diversas espécies de peixes de fundo como os chernes e os badejos.

Agulhão de vela (sailfish)

Por falar em peixe, podemos capturar diversos tipos na pescaria em mar aberto. Uma lista que não deixa a Paraíba atrás de nenhum outro bom pesqueiro do país. Cavalas branca (verdadeira) e Wahoo (aipim), dourados, barracudas, atuns, serras (sororocas), bonitos, xaréu-olhudo (guaracimbora ou aracibora), garajuba, sailfish (agulhão de vela), vermelhos (cioba, dentão, guaiúba, pargos, ariocós), serigado, olho-de-cão, olho de boi (arabaiana). Uma seleção pra deixar qualquer pescador mais do que satisfeito.


Dourado

Depois de embarcar alguns pargos e perto do meio dia fizemos uma pausa para o almoço onde tivemos a satisfação de saborear o escabeche de peixe com pirão preparado na cozinha do Zagaia. Além de muito saboroso, o prato recuperou a energia dos pescadores que partiram com ímpeto renovado em busca do troféu. Quando o capitão Adelino nos disse “comam direitinho que o pirão vai despertar vocês”, parecia que estava adivinhando a epopéia que viria a seguir. Perto das 14 horas havíamos voltado a praticar o corrico e sem nenhum aviso as quatro carretilhas berraram ao mesmo tempo mostrando as varas vergadas sob o peso de grandes peixes.

A correria foi intensa e o convés do barco se tornou palco de uma explosão de adrenalina. Dos quatro peixes fisgados dois se desvencilharam e um foi embora levando isca e tudo. Apenas o último permaneceu para duelar com os pescadores da nossa equipe. Antes tivesse escapado também. O que estava na outra ponta da linha era uma albacora de laje que lutou incansavelmente durante quatro horas e meia deixando todos os que estavam na embarcação exaustos. Sim, porque depois da primeira meia hora de briga, ao ver que o peixe não mostrava o mínimo sinal de fadiga, começamos um rodízio de pescadores que começou no inicio da tarde e só terminou com a noite já fechada. E não pensem que a briga durou esse tempo porque aliviamos a barra. A carretilha trabalhou o tempo inteiro com o freio praticamente todo fechado e mesmo assim o atum continuava valente. Ao fim, a garatéia da isca não resistiu e abriu sob a pressão do animal, liberando o nosso gigante.

Albacora estimada entre 60 e 70 kg, Nao é possivel admirar a dimensão do peixe por falta de referencial.

Nessa hora, se fez um breve silencio no Zagaia e, apesar de ninguém ter dito uma única palavra, era visível no semblante de cada uma a expressão “graças a Deus escapou”. O barco era a personificação do cansaço, pescadores exauridos deitados em qualquer lugar que os acomodassem. Com a sensação de dever cumprido, iniciamos o retorno a marina onde aportamos por volta das 20h.

Com o barco para servir de parâmetro percebe-se o tamanho do animal

Desta saída ao mar fica uma importante lição. Mais do que usar o equipamento adequado e saber fazer as escolhas das iscas, é primordial contar com um bom guia de pesca. De nada teria adiantado percorrer quilômetros e mais quilômetros no oceano sem a experiência de um bom navegador. E isso Gustavo Adelino trouxe à tona. Em seu GPS ele tem marcado os pesqueiros mais produtivos e nos conduziu com maestria aos pontos onde fisgamos nossos exemplares. Costumamos dizer que sorte é uma grande parte da pescaria, mas quando temos um bom guia de pesca esse fator é atenuado. No caso de Adelino, a experiência é fruto de uma vida de convivência com os homens do mar, pescadores artesanais que tiram seu sustento das águas paraibanas. Nesse tempo ele mapeou os melhores pesqueiros da região e teve oportunidade se familiarizar com as técnicas e condições necessárias para obter sucesso nas pescarias. Some-se a isso uma excelente embarcação e você tem a receita para uma pescaria inesquecível.

Adelino posa com barracuda capturada no corrico

 

Serviço:

Zagaia Pesca Oceânica – (83) 9382 8162

gustavoadelino@superig.com.br

 



3 Comentários para “Oceânica na Paraíba”

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Sobre o autor

Caco Marinho

Caco Marinho
Jornalista e apaixonado pela pesca esportiva 
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