{"id":2216,"date":"2008-05-14T11:01:38","date_gmt":"2008-05-14T14:01:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/?p=2216"},"modified":"2022-01-03T08:37:47","modified_gmt":"2022-01-03T11:37:47","slug":"o-dossie-camurupim-tarpon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/o-dossie-camurupim-tarpon\/","title":{"rendered":"O dossi\u00ea Camurupim (Tarpon)"},"content":{"rendered":"\n<p>Pescamos&nbsp;Camurupins&nbsp;h\u00e1 mais de quinze anos no litoral do Maranh\u00e3o. Tempo suficiente para cultivarmos grande fasc\u00ednio e admira\u00e7\u00e3o pelo \u201creide prata\u201d. Um oponente formid\u00e1vel, valente, astuto, perspicaz que quase sempre leva vantagem na batalha com o pescador. De trof\u00e9u cobi\u00e7ado, passou a nos representar o s\u00edmbolo da bravura e intrepidez. Experi\u00eancias com incont\u00e1veis embates memor\u00e1veis em pescaria com meus dois filhos, nos levaram a dedicarmos muito tempo \u00e0s observa\u00e7\u00f5es e pesquisas sobre seu comportamento. Pesquisas cient\u00edficas publicadas s\u00e3o poucas e restritas quase que exclusivamente \u00e0 costa leste americana, M\u00e9xico e Costa Rica. Reunimos dados desses estudos junto com nossas anota\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es durante um longo per\u00edodo e produzimos esse trabalho que poder\u00e1 ajudar mais na compreens\u00e3o da anatomia, biologia e estado comportamental do Megalops Atlanticus, ainda muito pouco estudado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso trabalho de pesquisa com pescadores, observa\u00e7\u00f5es pessoais e relatos, n\u00e3o tem car\u00e1ter cient\u00edfico, por quest\u00f5es \u00f3bvias, apesar de meu filho Alessandro Menks ser bi\u00f3logo. Entretanto o material reunido durante todos esses anos nos deu uma base de dados das mais interessantes e poder\u00e1, certamente, ser usado para entendermos de forma mais consistente o nosso surpreendente e t\u00e3o desejado&nbsp;Camurupim.<\/p>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o do texto com nossas inser\u00e7\u00f5es foi realizada usando uma abordagem mais simples a fim de facilitar a concep\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es a todos os pescadores esportivos, de um modo geral aos admiradores desse peixe espetacular. Esse trabalho n\u00e3o encerra nossas pesquisas de observa\u00e7\u00f5es. Vamos continuar estudando seu comportamento ainda que tenhamos que repetir ( o que para n\u00f3s \u00e9 um deleite) as viagens percorrendo milhas e milhas seguindo seus cardumes pelas \u00e1guas do litoral do Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o:<br><\/strong>Ordem Elopiformes<br>Fam\u00edlia: Megalopidae<br>G\u00eanero Megalops<br>Nome cient\u00edfico: Megalops Atlanticus<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecido no norte e nordeste brasileiro como&nbsp;Camurupim, pema, pirapema e&nbsp;Camurupim&nbsp;nos Estados Unidos, pertence \u00e0 fam\u00edlia Megalopidae \u00e9 um grande peixe com uma colora\u00e7\u00e3o entre o azul profundo a preta na parte dorsal e prata brilhante na parte ventral. Entretanto, esta cor pode ser alterada nos indiv\u00edduos que habitam \u00e1guas litor\u00e2neas e tamb\u00e9m os mantidos em cativeiro. Suas escamas s\u00e3o enormes tanto quanto seus olhos (megalops). A mand\u00edbula inferior \u00e9 posicionada \u00e0 frente da superior. As barbatanas s\u00e3o compostas de raios macios. O&nbsp;Camurupim&nbsp;tem uma barbatana caudal sim\u00e9trica. A \u00fanica barbatana dorsal \u00e9 pequena e composta de 13 a 15 raios moles; o \u00faltimo desses raios \u00e9 alongado com um filamento raiado. A barbatana anal \u00e9 um tri\u00e2ngulo e comp\u00f5e-se de 22 a 25 raios moles; o \u00faltimo desses raios \u00e9 tamb\u00e9m alongado e menor do que a nadadeira dorsal. Tem grandes barbatanas p\u00e9lvicas ao longo do abd\u00f4men composta de 13 a 15 raios moles. Variam muito em dimens\u00e3o com as f\u00eameas em geral maiores que os machos. \u00c9 relatado que os adultos podem atingir at\u00e9 2,50m e chegar a um peso de 161 kg. As f\u00eameas, em m\u00e9dia s\u00e3o maiores que os machos. Mas estudos indicam que existe uma varia\u00e7\u00e3o de peso e tamanho principalmente entre os esp\u00e9cimes da Fl\u00f3rida e Costa Rica. Podem viver entre 43 anos (macho) e 55 anos (f\u00eameas). A maturidade sexual por volta dos 10 anos entre 117 cm nos machos e 128 cm nas f\u00eameas. Andam em cardumes de 12 a 20 indiv\u00edduos, mas j\u00e1 foram vistos em grupos com cerca de 100 esp\u00e9cimes. \u00c9 um predador eficiente e tem h\u00e1bitos alimentares diuturno, por\u00e9m em geral, ca\u00e7a mais \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p>O maxilar inferior \u00e9 grande e protuberante. Os dentes s\u00e3o pequenos e em grande quantidade posicionados em camadas circulares por toda a sua boca. Sua l\u00edngua \u00e1spera a partir da base inferior do cr\u00e2nio e tem min\u00fasculas garras que o ajuda a segurar a presa. A mand\u00edbula \u00e9 poderosa e composta de um op\u00e9rculo \u00f3sseo extremamente afiado que o ajuda no ataque e o torna especialmente dif\u00edcil de capturar, visto que a linha de pesca \u00e9 sempre cortada pela chapa \u00f3ssea. Uma modifica\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica evoluiu para uma adapta\u00e7\u00e3o de toler\u00e2ncia f\u00edsica que ajuda na respira\u00e7\u00e3o. Um tecido alveolar na bexiga natat\u00f3ria \u00e9 ligado a um duto que por sua vez \u00e9 ligado ao es\u00f4fago para permitir a respira\u00e7\u00e3o do ar atmosf\u00e9rico, funcionado como um pulm\u00e3o auxiliar. Estudos demonstraram que mesmo em ambientes de \u00e1guas ricas em oxig\u00eanio, ainda assim o&nbsp;Camurupim&nbsp;respira o ar partir da superf\u00edcie. Acompanham o ciclo das mar\u00e9s quando entram em baias e estu\u00e1rios acompanhando cardumes de presas. \u00c9 um peixe pel\u00e1gico que quando adulto prefere \u00e1guas costeiras mais profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desconhece-se algum estudo para avaliar o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade dos cardumes de&nbsp;Camurupins&nbsp;ao longo da costa do nordeste brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os estudos e pesquisas de car\u00e1ter cient\u00edfico conhecidos s\u00e3o limitados \u00e0 costa da Fl\u00f3rida, Costa Rica, e Golfo do M\u00e9xico pelos autores abaixo creditados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Faixa Geogr\u00e1fica:<\/strong><br>Sua ocorr\u00eancia \u00e9 notada principalmente nas \u00e1guas quentes, das regi\u00f5es tropicais do leste a oeste do Oceano Atl\u00e2ntico. Maiores ocorr\u00eancias s\u00e3o registradas a leste dos Estados Unidos, nordeste do Brasil, oeste da Africana ( Senegal, Congo) Caribe, Golfo do M\u00e9xico, Panam\u00e1 Costa Rica e ocasionalmente na Argentina, no oeste do Atl\u00e2ntico, ao longo da costa de Portugal, A\u00e7ores, sul da Fran\u00e7a, no leste do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Habitat:<br><\/strong>Os\u00a0Camurupim\u00a0s\u00e3o encontrados em estu\u00e1rios, ba\u00edas, lagoas e at\u00e9 mesmo ser conhecida suas incurs\u00f5es em rios de \u00e1gua doce. Tem a capacidade de tolerar ambientes pobres em O2. A \u00fanica restri\u00e7\u00e3o ambiental em seu habitat \u00e9 temperatura. S\u00fabitas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem lev\u00e1-los \u00e0 morte em grande n\u00famero. Chegam aos estu\u00e1rios em seu segundo est\u00e1gio da metamorfose acompanhando as mar\u00e9s altas. O\u00a0Camurupim\u00a0Juvenil \u00e9 membro comum da ictofauna encontrada em ambientes acima citados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o e Embriologia:<br><\/strong>O\u00a0Camurupim\u00a0macho alcan\u00e7a uma maturidade sexual entre 0,90cm a 117,5 m, enquanto as f\u00eameas amadurecem sexualmente entre 1,28 m. A idade da maturidade sexual \u00e9 estimada a partir dos10 anos de idade. Entretanto, na Costa-Rica, a maturidade sexual do\u00a0Camurupim\u00a0\u00e9 alcan\u00e7ada em uma idade mais precoce do que o\u00a0Camurupim\u00a0da Florida e aparentemente n\u00e3o atinge tamanho considerado adulto. O\u00a0Camurupim\u00a0\u00e9 altamente fecundo, \u00e9 estimado que as f\u00eameas adultas produzam cerca de 12 milh\u00f5es de ovos sempre dependendo do tamanho e da idade do esp\u00e9cime. A ovula\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcional \u00e0 idade. No Brasil, na costa norte e nordeste a desova \u00e9 entre os meses de mar\u00e7o a maio. Na Florida, Costa Rica e do golfo de M\u00e9xico oriental fazem migra\u00e7\u00f5es para a desova extensiva em \u00e1guas mais profundas nos per\u00edodos de maio a julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos sugerem que as desovas do&nbsp;Camurupim&nbsp;sazonalmente s\u00e3o m\u00faltiplas. Na Costa-Rica, a desova n\u00e3o parece ser sazonal, e as f\u00eameas maduras s\u00e3o podem desovar em qualquer \u00e9poca do ano. Sugeriu-se que a fase lunar pode ser um componente importante para a atividade de desova. A eclos\u00e3o ocorre entre 2 a 3 dias em estado larval.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ovos t\u00eam em m\u00e9dia de 0,7 mm de di\u00e2metro ovos eclodidos em \u00e1guas profundas s\u00e3o de forma larval e ap\u00f3s aproximadamente 2 a 3 dias. S\u00e3o os Leptocephalus (larvas planas e transparentes de cabe\u00e7a pequena) distinguidos por seu corpo plano e transparente, que consistem primeiramente em uma matriz acelular, mucinose tamb\u00e9m delgado, como os dentes, que s\u00e3o proeminentes na regi\u00e3o principal. Os Leptocephalus variam no tamanho de um comprimento padr\u00e3o de aproximadamente 5.5 &#8211; 24.4 m O est\u00e1gio do leptocephalus persiste por 2 &#8211; 3 meses Durante este per\u00edodo, os leptocephalus s\u00e3o transportados pelas correntes das \u00e1guas profundas para as \u00e1guas litor\u00e2neas incluindo mangues, e eventualmente nos estu\u00e1rios onde procuram abrigo e alimenta\u00e7\u00e3o e terminam o desenvolvimento. As larvas Metam\u00f3rficas s\u00e3o encontradas mais freq\u00fcentemente em estu\u00e1rios e manguezais de \u00e1gua salgada. N\u00e3o se reproduzem em cativeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Est\u00e1gios de desenvolvimento:<br><\/strong>A. Est\u00e1gio I &#8211; leptocephalus, 9,4 mil\u00edmetros SL.<br>B. Est\u00e1gio II &#8211; leptocephalus, 17,5 mil\u00edmetros SL.<br>C. Est\u00e1gio III &#8211; leptocephalus, 23,0 mil\u00edmetros SL.<br>D. Est\u00e1gio IV &#8211; 14,0 mm<br>E. Est\u00e1gio V &#8211; 13,0 mm (diminui de tamanho)<br>F. Est\u00e1gio VI &#8211; 13.8mm -barbatanas dorsais e anais continuar a mover-se anteriormente; a bexiga do g\u00e1s estende para frente.<br>G. Est\u00e1gio VII &#8211; 15,9 mm. a pigmenta\u00e7\u00e3o aumenta no corpo e desenvolve a bexiga auxiliar da respira\u00e7\u00e3o.<br>H. Est\u00e1gio VIII &#8211; 16,9 mm. Aparecem as barbatanas.<br>I. Est\u00e1gio IX &#8211; 23,0 mm TL, 19,6 mm. Barbatanas dorsais e anais tornam-se mais proeminentes.<br>J. Est\u00e1gio X &#8211; 31,5mm a 25,5 mm. Ponto na barbatana dorsal distinta; pigmenta\u00e7\u00e3o do corpo mais profusa<br>K. Juvenil XI &#8211; 41.0 mm<br>L. Juvenil 38,60 cm<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/dossiecamurupim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"240\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/dossiecamurupim.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2217\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/dossiecamurupim.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/dossiecamurupim-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1bitos alimentares:<br><\/strong>A dieta varia durante todo o seu desenvolvimento. Na primeira etapa do seu desenvolvimento, o\u00a0Camurupim\u00a0obt\u00e9m nutriente diretamente a partir da \u00e1gua. Como juvenis, eles alimentam de zopl\u00e2ncton, pequenos peixes, crust\u00e1ceos e insetos. Na fase adulta, t\u00eam como principais fontes de alimento as sardinhas, arenques, tainhas, guaraviras (Maranh\u00e3o) e crust\u00e1ceos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Utilidade econ\u00f4mica:<br><\/strong>A pesca do\u00a0Camurupim\u00a0\u00e9 considerada altamente esportiva devido a sua extrema for\u00e7a, velocidade e a grande dificuldade de ser fisgado. Seus saltos extraordin\u00e1rios bem acima da linha d\u00e1gua o tornam um oponente de muito respeito e admira\u00e7\u00e3o e o tornam um trof\u00e9u cobi\u00e7ado. Todavia, n\u00e3o \u00e9 considerado um peixe apreciado para a alimenta\u00e7\u00e3o com exce\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul. No Brasil (o maior consumidor), Panam\u00e1 e \u00c1frica(em menor escala) s\u00e3o encontrados facilmente em mercados de peixe. A sua carne n\u00e3o \u00e9 consumida nos Estados Unidos e na Florida, a venda comercial do\u00a0Camurupim\u00a0\u00e9 proibida. A pesca esportiva tem grande relev\u00e2ncia econ\u00f4mica, principalmente na Fl\u00f3rida onde gera aproximadamente 731 milh\u00f5es d\u00f3lares anualmente. Destes, 465 milh\u00f5es d\u00f3lares s\u00e3o oriundos diretamente das atividades da pesca esportiva e o restante captado pela enorme ind\u00fastria tur\u00edstica da pescaria esportiva, envolvendo embarca\u00e7\u00f5es de alta tecnologia, guias, hot\u00e9is, aluguel de equipamentos, licen\u00e7a de pesca, ecoturismo etc.etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1989, o estado da Fl\u00f3rida adotou regras severas para a sua pescaria incluindo a obrigatoriedade de uma licen\u00e7a exclusiva no valor de $50.00, para cada pescaria. Este processo e a fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa e permanente favoreceram o um aumento consider\u00e1vel do pesca e solte e como conseq\u00fc\u00eancia a preserva\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o dos cardumes. Os peixes segurados desse modo foram mostrados para recuperar rapidamente e recome\u00e7ar atividades normais dentro de um per\u00edodo de tempo curto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie:<br><\/strong>A pr\u00e1tica do pesque e solte por pescadores esportivos sem as devidas precau\u00e7\u00f5es, pode ser uma causa da mortalidade do\u00a0Camurupim\u00a0do adulto. Entretanto, encontrou uma taxa elevada da sobreviv\u00eancia entre 26 a 27 peixes estudados depois de fisgados e liberados na Florida. Isto indicaria uma mortalidade pequena para a pesca esportiva. Essa baixa mortalidade \u00e9 baixa quando os peixes s\u00e3o fisgados na maxila, trazidos ao barco e liberados dentro de um per\u00edodo de tempo relativamente curto e n\u00e3o s\u00e3o removidos da \u00e1gua para serem liberados. Ainda assim, esse processo \u00e9 a maior causa das mortes no pesque e solte.<\/p>\n\n\n\n<p>A qualidade do Habitat e de \u00e1gua \u00e9 reconhecida como especialmente importante no est\u00e1gio adiantado da vida dos peixes marinhos encontrados nos estu\u00e1rios. Toda a degrada\u00e7\u00e3o do ecossistema com impacto de poluentes em \u00e1reas estuarinas e de manguezal altera ciclo de desenvolvimento e sobreviv\u00eancia dos&nbsp;Camurupins&nbsp;juvenis que utilizam estes ambientes com ber\u00e7\u00e1rio. A polui\u00e7\u00e3o da \u00e1guas afeta negativamente o&nbsp;Camurupim. Sua perman\u00eancia em estu\u00e1rios, baias e lagos \u00e9 considerado um indicador da sa\u00fade desses ecos sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Carolina do Sul o&nbsp;Camurupim&nbsp;foi declarado um peixe esportivo atrav\u00e9s de Lei estadual em 1991. Esta lei pro\u00edbe a venda e o com\u00e9rcio do&nbsp;Camurupim&nbsp;e limitou a sua pesca, (exclusivamente esportiva) de um peixe por pescador, por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesca predat\u00f3ria no litoral norte nordeste, contribui para a diminui\u00e7\u00e3o dos cardumes que \u00e0s vezes s\u00e3o quase dizimados por barcos pesqueiros que utilizam grandes redes de especialmente confeccionadas para a sua pesca (Maranh\u00e3o). Relatos de pescadores d\u00e3o conta de serem abatidos de 60 a 70&nbsp;Camurupins&nbsp;adultos em apenas uma pescaria em \u00e1guas maranhenses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Predadores:<br><\/strong>Os peixes pequenos rapinam os ovos e alevinos ainda em \u00e1gua de desova. Em \u00e1guas litor\u00e2neas os p\u00e1ssaros pisc\u00edvoros s\u00e3o predadores preliminares do\u00a0Camurupim\u00a0juvenil uma vez que incorporam \u00e1reas do ber\u00e7\u00e1rio em mangues, estu\u00e1rios, lagos e lagoas. Os tubar\u00f5es, touro e o cabe\u00e7a de martelo, s\u00e3o os predadores principais do\u00a0Camurupim\u00a0adulto. A maioria de mortes atribu\u00edda \u00e0 atividade pesqueira ocorre dos ferimentos ao ser embarcado e ainda de ataques de tubar\u00f5es que aproveitam de sua vulnerabilidade durante a pescaria quando fisgados. Embora os pescadores conscienciosos tentem cortar a linha para liberar o\u00a0Camurupim\u00a0das garras dos tubar\u00f5es, esses deixam, ocasionalmente, o pescador com somente a metade do peixe.<\/p>\n\n\n\n<p>Parasitas como o micr\u00f3stomo (metazo\u00e1rios) causam a digenetite infec\u00e7\u00e3o provocada pelo Lecithochirium, que ocorre no intestino do&nbsp;Camurupim. Os parasitas externos incluem o acuminata de nerocila e o oestrum de cymothoa que causam infec\u00e7\u00f5es entre as escama causando muitas vezes a morte. Embora n\u00e3o paras\u00edtico, as r\u00eamoras freq\u00fcentemente juntam-se ao&nbsp;Camurupim&nbsp;adulto. O&nbsp;Camurupim&nbsp;n\u00e3o \u00e9 listado atualmente como esp\u00e9cime amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de ag\u00eancias governamentais, ONGs e outros organismos de prote\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o que em parceria estabelecem regras para as pescarias esportivas principalmente nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o em cativeiro:<br><\/strong>(Roberto Menks)<br>No Maranh\u00e3o em \u00e1reas litor\u00e2neas \u00e9 comum pescadores escavarem nos quintais de casa pequenos tanques onde s\u00e3o criados os\u00a0Camurupins. Dependendo da localiza\u00e7\u00e3o ligam os diminutos a\u00e7udes at\u00e9 o mangue atrav\u00e9s de tubos de PVC que captam a \u00e1gua das mar\u00e9s altas repondo e renovando o volume do criadouro. Quando isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a capta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de \u00e1gua doce mesmo a exemplo de alguns a\u00e7udes de dimens\u00f5es bem maiores mantidos exclusivamente pelas precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas em algumas fazendas da regi\u00e3o. Os pequenos peixes entre 10 a 15 cm s\u00e3o capturados com facilidade em ber\u00e7\u00e1rios, principalmente em lagos formados pelas \u00e1guas das grandes mar\u00e9s que s\u00e3o mantidas durante meses pelas intensas chuvas do inverno maranhense. Usam pequenas redes de nylon com pequenas malhas para n\u00e3o serem presos pela cabe\u00e7a e preservar suas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia e transportados em caixas de isopor ou ton\u00e9is de pl\u00e1stico. As dist\u00e2ncias entre os locais de captura e o cativeiro n\u00e3o podem ser grande devido o alto estresse provocado pela agita\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a perda da mucilagem (aquela gosma protetora das escamas) descameamento e o choque t\u00e9rmico entre outros fatores que implicam na sua mortalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos temos estudado e feito observa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas sobre esse processo antigo de cria\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica. Constatamos que a sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o em \u00e1gua salobra ou doce, com alta toler\u00e2ncia ao ambiente de baixo O2, faz com que se desenvolvam muito rapidamente e podem atingir cerca de 3 kg por ano se bem alimentados. Ap\u00f3s 5\/6 anos come\u00e7a a se desenvolver em menor escala. Observa\u00e7\u00f5es in loco, e pesquisas, e conversas com pescadores\/criadores nos foi relatado o caso de um&nbsp;Camurupim&nbsp;chegou a pesar 40 kg. A sua idade ou tempo de cativeiro n\u00e3o s\u00e3o precisos, mas, supostamente, n\u00e3o por mais de 8 anos. A densidade populacional n\u00e3o \u00e9 um fator que iniba o seu crescimento visto que j\u00e1 foram pesados esp\u00e9cimes de at\u00e9 25 kg em pequenos criadouros com aproximadamente 80m2, entre uma popula\u00e7\u00e3o de 20 exemplares. Em uma \u00e1rea de 200 m2, foram colocados 180 alevinos que ap\u00f3s um ano de cativeiro, atingiram o peso de 1,80 a 2,50 kg sem alimenta\u00e7\u00e3o abundante.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o alimentados regularmente com camar\u00f5es, sardinhas e outros peixes que s\u00e3o presas de seu habitat natural, mas habituam-se a toda sorte de alimentos de origem animal: entranhas de peixes, aves, carnes, casca de camar\u00e3o e ra\u00e7\u00e3o para peixes. Ficam d\u00f3ceis e percebem a presen\u00e7a do tratador na hora da alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e9 poss\u00edvel dar-lhes um peixe diretamente \u00e0 boca. No per\u00edodo logo ap\u00f3s ser colocado em cativeiros, o alimento \u00e9 triturado ou picado deforma a facilitar a sua ingest\u00e3o. Ao atingirem 20\/25 cm come\u00e7am atacar o alimento mais s\u00f3lido engolindo pequenas sardinhas e camar\u00f5es inteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma experi\u00eancia interessante foi observamos seus ataques violentos e espetaculares em cria\u00e7\u00e3o consorciada onde peixes como a piaba, til\u00e1pias e car\u00e1s (forrageiros) quando alimentados com ra\u00e7\u00e3o acabam, com o movimento fren\u00e9tico na superf\u00edcie, atraindo, os&nbsp;Camurupins&nbsp;at\u00e9 as margens do a\u00e7ude onde aproveitam o seu instinto de ex\u00edmio predador para ca\u00e7ar. Isso desenvolve uma interessante adapta\u00e7\u00e3o no h\u00e1bito alimentar visto que os levam a consumirem a ra\u00e7\u00e3o. No entanto, desconhecemos uma cria\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica que fa\u00e7a o uso sistem\u00e1tico da ra\u00e7\u00e3o. Mas sem d\u00favida pelas nossas observa\u00e7\u00f5es, conclu\u00edmos que \u00e9 poss\u00edvel a dieta ser exclusivamente do alimento industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, mesmo com esse interessante desempenho de adaptabilidade, n\u00e3o perdem seu instinto de grandes lutadores na hora da fisgada e a sua conhecida habilidade dos saltos e das fugas. A pesca de exemplares em cativeiro acaba tornando mais desafiador visto que ap\u00f3s o primeiro peixe fisgado h\u00e1 um estresse generalizado e pode levar horas para um novo ataque. Em a\u00e7udes de grandes dimens\u00f5es a a\u00e7\u00e3o \u00e9 mais localizada e h\u00e1 evidentemente menos estresse. Dependendo de alguns componentes que possam afetar seu comportamento como condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (preferem a \u00e1gua mais quente), alimenta\u00e7\u00e3o abundante, estresse do ambiente, pode-se passar o dia todo sem uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o. Em algumas experi\u00eancias com plugs de superf\u00edcie sem garat\u00e9ia pudemos observar que muitas vezes perseguem a isca v\u00e1rias vezes e por longo tempo sem que, por\u00e9m, ataquem-na diretamente, isso um dia ap\u00f3s demonstrarem grande voracidade \u00e0 mesma metodologia. Com o uso de iscas naturais percebe-se que aumentam os ataques, contudo n\u00e3o as capturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Via de regra \u00e9 reconhecidamente um trof\u00e9u de dif\u00edcil captura seja na natureza ou em cativeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos criadouros dom\u00e9sticos de fundo de quintal comercializa sua produ\u00e7\u00e3o regularmente para o consumo quando atingem cerva de 3 a 5 kg, como forma de incremento \u00e0 renda familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Autores consultados:<br>(Crabtree e outros 1995, 1997)<br>(Crabtree e outros. 1992).<br>(Hill, 2002; Luna, Reyes, e Froese, 2005)<br>(Morey, 2000)<br>(Garcia e Solano 1995)<br>(Whitehead e Vergara 1978)<br>(Zerbi e outros. 2001)<br>(Edwards (1998)<br>(Menks 1993; 2008)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescamos&nbsp;Camurupins&nbsp;h\u00e1 mais de quinze anos no litoral do Maranh\u00e3o. Tempo suficiente para cultivarmos grande fasc\u00ednio e admira\u00e7\u00e3o pelo \u201creide prata\u201d. Um oponente formid\u00e1vel, valente, astuto, perspicaz que quase sempre leva vantagem na batalha com o pescador. De trof\u00e9u cobi\u00e7ado, passou a nos representar o s\u00edmbolo da bravura e intrepidez. 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