{"id":1771,"date":"2006-07-30T23:18:28","date_gmt":"2006-07-31T02:18:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/?p=1771"},"modified":"2021-12-30T21:36:14","modified_gmt":"2021-12-31T00:36:14","slug":"um-rio-chamado-mutuca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/um-rio-chamado-mutuca\/","title":{"rendered":"Um rio chamado Mutuca"},"content":{"rendered":"\n<p>Existem pescarias que nos marcam e que sabemos jamais se repetir\u00e3o. Por mais que voltemos ao mesmo local, na mesma \u00e9poca, com o mesmo n\u00edvel de \u00e1gua, etc., a natureza s\u00f3 nos privilegia uma vez. Isso aconteceu conosco, num rio chamado Mutuca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 primeira vista n\u00e3o conquista o pescador, devido a grande quantidade de casas de ribeirinhos, uma ap\u00f3s a outra. Al\u00e9m disso, at\u00e9 os pontos de pesca mais distantes, passa-se por quatro comunidades, cada qual com interesses pr\u00f3prios e comportamento diferente. Mas isso \u00e9 outra est\u00f3ria, que j\u00e1 foi contada na mat\u00e9ria \u201c<a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/em-nome-de-deus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EM NOME DE DEUS<\/a>\u201d. Esse \u00e9 um dos pontos descobertos nas aventuras vividas quando \u201c<a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/pesquisas-de-novos-pontos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EM PESQUISA DE NOVOS PONTOS<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"208\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1772\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca02.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca02-300x195.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando se vai pela primeira vez ao Amazonas e \u00e9 levado para esse rio, fica-se a princ\u00edpio um pouco decepcionado, pois vai achar um local bastante habitado, e normalmente associa-se pescaria abundante com regi\u00f5es distantes e solit\u00e1rias, selvagens mesmo. Afinal, n\u00e3o \u00e9 o que se esperava encontrar no que \u00e9 hoje considerada a \u00faltima fronteira de vida selvagem no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Relativamente pr\u00f3ximo de Manaus, a 14 horas de viagem em Barco-Hotel, mais ou menos, \u00e9 um rio estreito na maior parte do tempo, principalmente na \u00e9poca da seca, coincidindo por isso mesmo com a pesca do tucunar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"191\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1773\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca03.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca03-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca04.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"209\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca04.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1774\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca04.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca04-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na cheia engole barrancos e mata ciliar, expandindo suas fronteiras e criando armadilhas para os navegantes, escondendo seu leito como joia preciosa. \u00c9 quando reina o igap\u00f3, ref\u00fagio para todas as esp\u00e9cies.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma de nossas \u00faltimas viagens para esse rio, levando um grupo de Santa Catarina, mais precisamente de Jaragu\u00e1 do Sul, em 1999, tivemos a express\u00e3o m\u00e1xima do que \u00e9 pescar tucunar\u00e9s no Amazonas. Esse grupo foi organizado por nossos amigos Romeu Konell e Gildo Hornburg, o arquivo vivo, como se autodenomina.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos de Manaus num S\u00e1bado pela manh\u00e3, e no Domingo bem cedo j\u00e1 est\u00e1vamos pescando.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca05.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"240\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca05.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1775\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca05.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca05-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 natural, os primeiros arremessos e pontos escolhidos serviram para o pessoal se integrar ao ambiente. \u00c9 interessante como os pinchos iniciais s\u00e3o t\u00edmidos, como se tiv\u00e9ssemos medo, e, ao mesmo tempo, desejo de sermos surpreendidos com um ataque assustador. Passada essa fase, come\u00e7a realmente a pescaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta das 7 horas da manh\u00e3 come\u00e7ou o bombardeio. Ao passarmos por um igarap\u00e9, largo de uns 30\/40 metros, avistamos na entrada pontas de barranco que afundavam abruptamente, uma de cada lado. Paramos imediatamente, e ap\u00f3s cessar o banzeiro e posicionarmos o barco com o motor el\u00e9trico, come\u00e7ou a festa. N\u00e3o descreveremos a pescaria, pois n\u00e3o temos compet\u00eancia para isso, al\u00e9m do que \u00e9 uma vis\u00e3o muito pessoal, vivenciada diferentemente por cada pescador.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O rio estava ainda um pouco cheio, quase chegando ao n\u00edvel ideal. Assim sendo, os pontos de arremesso eram aqueles convencionais, que todo pescador de tucunar\u00e9 conhece. Procur\u00e1vamos barrancos, entrada de lagos, ilhotas semi-submersas, concentra\u00e7\u00e3o de tocos, galhadas, etc, e em todos esses pontos os ataques se faziam presente, mas o que nos chamava a aten\u00e7\u00e3o era que a maior parte das a\u00e7\u00f5es era de tucunar\u00e9s de bom porte. Cheg\u00e1vamos a brincar perguntando: Ser\u00e1 que nesse rio n\u00e3o tem peixe pequeno?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o melhor de tudo ainda estava por vir. Independentemente da fartura de peixes em qualquer pescaria, nunca estamos satisfeitos com o ponto onde estamos, e o esp\u00edrito de aventura e curiosidade fazem com que sejamos impelidos a gastar gasolina em busca do Eldorado. Assim fizemos e tocamos em frente em busca de novidades.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"212\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca07.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1776\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca07.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca07-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Sempre desprezamos como pesqueiros barrancos altos e que afundassem abruptamente, principalmente n\u00e3o havendo qualquer tipo de estrutura na \u00e1gua, como tocos ou outra vegeta\u00e7\u00e3o qualquer. S\u00e3o locais normalmente muito fundos, e como n\u00e3o sabemos o que est\u00e1 submerso evitamos perder tempo. Ao passarmos por um desses barrancos, vimos uma tempestade localizada, num espa\u00e7o de uns dois metros, e na sequ\u00eancia um peixe que calculamos em mais de um quilo pular e tentar subir desesperadamente pela encosta, inutilmente. Tornou a cair na \u00e1gua e da\u00ed para frente desconhecemos seu destino. Afobadamente duas iscas ca\u00edram na \u00e1gua e nada aconteceu. Est\u00e1vamos em tr\u00eas pescadores, e o primeiro e mais afoito tinha arremessado no barranco, que era liso e sem enrosco para prender a isca. Foi ela deslizar para a \u00e1gua e o estrondo comeu! Resultado: A\u00e7u de 10 kg!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"219\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca08.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1777\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca08.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca08-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Isso foi o come\u00e7o para tornar essa pescaria inesquec\u00edvel. A partir da\u00ed os pontos &#8211; chave eram os barrancos \u00edngremes e sem estrutura aparente, por\u00e9m com a condi\u00e7\u00e3o que as iscas ca\u00edssem no m\u00e1ximo a um palmo, e olhe l\u00e1, do encontro do barranco com a \u00e1gua. Maiores dist\u00e2ncias ficavam sem resposta, por incr\u00edvel que pare\u00e7a. Nos barrancos tipo praia sem enrosco podia-se jogar as iscas na areia e deixar deslizar para a \u00e1gua, sem necessidade de caprichar nos arremessos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca09.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"219\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca09.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1778\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca09.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca09-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"209\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1779\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca10.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca10-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"203\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1780\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca11.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca11-300x190.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"232\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1781\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca12.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca12-300x218.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"243\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1782\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca13.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca13-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"235\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca16.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1783\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca16.jpg 235w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca16-220x300.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Houve dias que sa\u00edram mais de 10 peixes entre 8 e 10 kg entre todas as embarca\u00e7\u00f5es, sendo o recorde de Romeu Konell, um A\u00e7u de 10.800 kg, secundado pelo a\u00e7u do Iran Vicente de Paula, de 10.500 kg. Chegamos ao c\u00famulo de passar a considerar tucunar\u00e9s de 6 kg pequenos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca17.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"210\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca17.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1784\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca17.jpg 210w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca17-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca18.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"241\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca18.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1785\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca18.jpg 241w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca18-226x300.jpg 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Por gra\u00e7as dos c\u00e9us, esse grupo de Jaragu\u00e1 do Sul era constitu\u00eddo por amantes da pesca esportiva, acostumados ao uso de iscas artificiais e com senso bem desenvolvido de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, pois todos os peixes eram devolvidos \u00e0s \u00e1guas, independente do tamanho, com as exce\u00e7\u00f5es de praxe para consumo no barco, mas respeitando-se os limites entre dois e quatro kg para abate, mas somente nos dias de sashimi ou uma caldeirada \u00e0 moda. Falamos gra\u00e7as aos c\u00e9us porque, independente das normas de nosso barco, n\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es de fiscalizar todos os pescadores que estavam no rio, e a partir do momento que um tucunar\u00e9 grande chegar morto \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o, o mal j\u00e1 foi feito. Por outro lado, o papel de agenciadores de excurs\u00f5es de pesca n\u00e3o \u00e9 o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, e sim de orienta\u00e7\u00e3o, pois a sa\u00edda para os problemas de depreda\u00e7\u00e3o est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na repress\u00e3o, embora muitas vezes seja necess\u00e1ria, infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca19.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"210\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca19.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1786\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca19.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca19-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca20.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"206\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca20.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1787\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca20.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca20-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"210\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca21.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1788\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca21.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca21-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"210\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca22.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1789\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca22.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca22-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca23.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"217\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca23.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1790\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca23.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca23-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca24.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"246\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca24.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1791\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca24.jpg 246w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca24-231x300.jpg 231w\" sizes=\"auto, (max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Esse para\u00edso descrito n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o nem est\u00f3ria de pescador. Ele existe, mas os acontecimentos narrados tiveram como pano de fundo uma situa\u00e7\u00e3o excepcional de fatores positivos convergentes, que dificilmente voltar\u00e3o a se reunir novamente de uma s\u00f3 vez. \u00c9 poss\u00edvel, mas improv\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Como toda moeda tem duas faces, existem fatores negativos tamb\u00e9m. O primeiro deles \u00e9 que \u00e9 uma regi\u00e3o end\u00eamica de mal\u00e1ria, principalmente na temporada da pesca do tucunar\u00e9, na seca, e precau\u00e7\u00f5es tem que ser tomadas. O mosquito da mal\u00e1ria ataca ao amanhecer e ao entardecer, no hor\u00e1rio das cinco at\u00e9 sete horas, mais ou menos, nos dois casos. Fora desse hor\u00e1rio podem aliment\u00e1-los sem receio. Conhecemos num dos lagos um pescador de pirarucu, o Sr. Ver\u00edssimo, que h\u00e1 dois dias estava na espera pacientemente para tocaiar o bicho, sem sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Contou-nos que era a d\u00e9cima mal\u00e1ria que pegava, e estava aproveitando uma pausa entre as crises agudas para prover o sustento da fam\u00edlia com a captura do peixe. Sua tralha consistia de uma fisga fixada em uma haste e uma boia feita de molong\u00f3, tipo de madeira dura, por\u00e9m leve como balsa. Ap\u00f3s atingir o peixe, a fisga fica presa por uma corda e a haste \u00e9 descartada, como se fosse uma pesca com linha de m\u00e3o. Ficamos condo\u00eddos sem saber para quem torcer, para ele ou para o pirarucu, ambos em extin\u00e7\u00e3o. No terceiro dia fomos embora, e ao longe avistamos o Sr. Ver\u00edssimo na sua canoinha, pacientemente remando no lago em busca do rival e salvador, retrato triste da maior parte dos ribeirinhos do Amazonas, entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sem esperan\u00e7as e sem ningu\u00e9m que olhe por eles.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca25.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"212\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca25.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1792\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca25.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca25-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Outro fator negativo \u00e9 que j\u00e1 em 2000 a pesca esportiva estava proibida nesse rio. N\u00e3o uma proibi\u00e7\u00e3o legal, pois pela lei oficial n\u00e3o h\u00e1 impedimento, mas uma proibi\u00e7\u00e3o local, praticada pelos moradores, manipulados por interesses de aproveitadores, que levantam a bandeira da preserva\u00e7\u00e3o, mas \u00e0s escondidas pescam e fornecem o pescado para atravessadores e donos de frigor\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, 2006, n\u00e3o sabemos a realidade desse rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem pescarias que nos marcam e que sabemos que jamais se repetir\u00e3o. Isso aconteceu conosco, NUM RIO CHAMADO MUTUCA.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo: Pratique o pesque &amp; solte. N\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma necessidade!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca26.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"320\" height=\"213\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca26.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1793\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca26.jpg 320w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rmutuca26-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem pescarias que nos marcam e que sabemos jamais se repetir\u00e3o. Por mais que voltemos ao mesmo local, na mesma \u00e9poca, com o mesmo n\u00edvel de \u00e1gua, etc., a natureza s\u00f3 nos privilegia uma vez. 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