{"id":1458,"date":"2006-07-16T18:48:27","date_gmt":"2006-07-16T21:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/?p=1458"},"modified":"2021-12-28T00:07:51","modified_gmt":"2021-12-28T03:07:51","slug":"pesquisas-de-novos-pontos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/pesquisas-de-novos-pontos\/","title":{"rendered":"Pesquisas de novos pontos"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/novospontos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/novospontos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1459\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/novospontos.jpg 640w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/novospontos-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando o turista desembarca no aeroporto de Manaus, sua maior expectativa \u00e9 ir logo para o barco e dar in\u00edcio \u00e0 viagem que o levar\u00e1 ao encontro dos tucunar\u00e9s, esquecendo o desconforto e cansa\u00e7o da viagem. Se a pescaria for bem sucedida, o barco \u00e9 maravilhoso, os guias fant\u00e1sticos, e por a\u00ed afora&#8230;Caso contr\u00e1rio, a organiza\u00e7\u00e3o foi deficiente, a comida p\u00e9ssima, o comandante n\u00e3o conhecia nada da regi\u00e3o, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das coisas que o pescador desconhece \u00e9 o esfor\u00e7o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa estrutura. Al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o do barco, tripula\u00e7\u00e3o, abastecimento da embarca\u00e7\u00e3o e log\u00edstica necess\u00e1ria para o neg\u00f3cio funcionar, est\u00e1 um item de suma import\u00e2ncia : A preocupa\u00e7\u00e3o em descobrir novos pontos. Isso porque a cada temporada mais barcos entram no mercado do turismo da pesca esportiva, al\u00e9m da depreda\u00e7\u00e3o que parece n\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo essas pesquisas s\u00e3o problem\u00e1ticas de fazer, pois quando as \u00e1guas est\u00e3o na altura ideal para pesca, \u00e9 \u00e9poca de sair em campo com o turista, n\u00e3o sobrando tempo para prospec\u00e7\u00f5es. Assim sendo, a maior parte das informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o colhidas na baixa temporada, na cheia, quando n\u00e3o h\u00e1 pesca de tucunar\u00e9. Eventualmente, na alta temporada, quando existe uma lacuna entre um grupo e outro, aproveita-se para fazer esse trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa dessas janelas, sa\u00edmos o Sab\u00e1, o Nonato, o Marcelo, o Guila e eu, com destino a um rio relativamente perto de Manaus, o Mutuca. \u00cdamos numa lancha de 19 p\u00e9s, com motor de 140hp&nbsp;&nbsp;e bastante gasolina. Eram 9.00hs e t\u00ednhamos \u00e0 reboque um barco ICOMA de 6ms. Ap\u00f3s 15 minutos de viagem resolvemos voltar e deixar o barco, pois estava atrapalhando a navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Comida e bebida t\u00ednhamos \u00e0 vontade, apenas paramos para pegar gelo na feira da Panair (o pessoal de Manaus pronuncia como est\u00e1 escrito). At\u00e9 os anos 50 s\u00f3 existia nesse porto o bairro Educandos, e n\u00e3o havia aeroporto na regi\u00e3o, motivo pelo qual os avi\u00f5es da PANAIR pousavam na \u00e1gua. Vem da\u00ed a origem do nome da feira da Panair.<\/p>\n\n\n\n<p>Geladeira abastecida, ligamos o motor e mal t\u00ednhamos percorrido 10ms quando fomos quase&nbsp;&nbsp;abalroados por um&nbsp;&nbsp;barco pesqueiro que chegava para descarregar. Descemos o rio Amazonas algum&nbsp;&nbsp;tempo, talvez umas 2 horas, e por indica\u00e7\u00e3o do guia (Marcelo), entramos num furo estreito e com bastante correnteza, que liga o rio ao munic\u00edpio de Altazes Mirim. Navegando com cautela, esse trecho pode ser percorrido em uns 20 minutos, mas levamos bem mais por conta de muitos&nbsp;&nbsp;cajueiros que encontramos nas margens e a opera\u00e7\u00e3o para escolher e catar os mais maduros.<\/p>\n\n\n\n<p>Saindo do furo, pegamos um igarap\u00e9 majestoso que nos levaria at\u00e9 a comunidade de Novo C\u00e9u, onde nosso guia possu\u00eda alguns parentes que nos ajudariam com algumas informa\u00e7\u00f5es. Inexplicavelmente, percebemos que a gasolina do tanque estava quase no fim, e j\u00e1 hav\u00edamos feito um reabastecimento quando est\u00e1vamos catando caju. Ficamos assustados e nos perguntamos: &#8211; Ser\u00e1 que erramos tanto assim nos c\u00e1lculos? Sem ter outra sa\u00edda, tocamos em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>No Amazonas \u00e9 comum encontrarmos flutuantes que funcionam como&nbsp;&nbsp;postos de venda, onde encontramos mantimentos, bebidas e at\u00e9 gasolina. Por sorte topamos logo com um deles, a TABERNA DO DIM-DIM, que por azar, n\u00e3o tinha&nbsp;&nbsp;combust\u00edvel. Mas temos que aproveitar todas as ocasi\u00f5es para do lim\u00e3o fazermos a limonada, e fomos conhecer o tal do DIM-DIM, que nada mais \u00e9 que um tipo de sorvete em saquinho pl\u00e1stico, chamado em S\u00e3o Paulo de geladinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com marcha reduzida, levamos o barco na ponta dos dedos. Ao avistarmos Altazes, acabou nossa preocupa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m nossa gasolina. Faltava uns 500ms, que consumiu parte da bateria do motor el\u00e9trico e parte de nossa energia, mas o o\u00e1sis estava \u00e0 vista, e a expectativa de encontrarmos grandes tucunar\u00e9s tamb\u00e9m. Reabastecemos na vila de Novo C\u00e9u, e ap\u00f3s conversa com os parentes do Marcelo, subimos em busca do Mutuca e de seus espetaculares tucunar\u00e9s, era o que esper\u00e1vamos. Na realidade o rio nos causou uma boa impress\u00e3o, mas nada saiu de especial, s\u00f3 um exemplar calculado acima de 6kg, que explodiu em cima da minha isca e tchau&#8230; Explos\u00e3o maior ficou por conta do dono da isca, o velho Guila, o mais sutil dos representantes do homem de Neanderthal.<\/p>\n\n\n\n<p>Pescamos por aproximadamente uma hora, n\u00e3o mais do que isso, e resolvemos voltar, pois a experi\u00eancia com a gasolina nos tinha deixado preocupados com a volta. Fomos checar o combust\u00edvel e a situa\u00e7\u00e3o ficou alarmante. Tinha ido j\u00e1 quase outro tanque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos a Novo C\u00e9u e nova parada para reabastecermos. Mais uma vez completamos todas as reservas e \u201cpau na m\u00e1quina\u201d. Eram aproximadamente 3hs da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 perto do furo que nos levaria de volta ao rio Amazonas, uma concentra\u00e7\u00e3o de galhadas ati\u00e7ou o desejo da turma de tentar alguns pinchos, apesar da profundidade ser bastante pequena. De nada adiantou os protestos da minoria. Pincho daqui, pincho dali, e nada, nem tra\u00edra. Quando o bom senso prevaleceu, os primeiros sinais do anoitecer chegaram junto. O motor teimava em n\u00e3o pegar. Segundo o Nonato era coisa simples, era o carburador, e ele como bom mec\u00e2nico resolveria logo. Pega, n\u00e3o pega, finalmente pegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao entrarmos no furo, uma batida seca e o motor parou. Parecia que a rabeta tinha batido em algum pau submerso. Novo exame e a constata\u00e7\u00e3o que a vela tinha quebrado (como n\u00e3o entendo de mec\u00e2nica, n\u00e3o me pergunte como, s\u00f3 sei que foi assim, parodiando Xic\u00f3), al\u00e9m da suspeita de h\u00e9lice empenada. Entre liga e desliga, com muita dificuldade, sa\u00edmos do furo e chegamos ao rio Amazonas. Eram 19:30hs e os mosquitos come\u00e7avam a incomodar. A partir da\u00ed o motor pifou de vez e veio o veredicto final: rabeta quebrada ! As 20:00hs&nbsp;&nbsp;o Nonato avisou que n\u00e3o tinha jeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficamos \u00e0 deriva no Amazonas, sem r\u00e1dio nem celular, \u00e0 noite, um pouco afastados da margem para fugir dos mosquitos, mas o bom senso nos obrigou a amarrar o barco no barranco, para escapar de algum abalroamento. Sem solu\u00e7\u00e3o, nos ajeitamos da melhor maneira dentro do barco e esperamos um eventual socorro. T\u00ednhamos uma lanterna, e quando v\u00edamos alguma luz ao longe se movimentando, faz\u00edamos sinais para chamar a aten\u00e7\u00e3o. \u00c0s 21:00hs passou um grande barco de passageiros (gaiola), parou, olhou e se mandou. Gritamos com todas as for\u00e7as, mas de nada adiantou. Com mais calma, o Sab\u00e1 explicou a atitude do comandante, dizendo que a falta de socorro foi devido medo de assalto, freq\u00fcentes na regi\u00e3o. N\u00e3o sab\u00edamos que existiam piratas tamb\u00e9m no rio Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 21:30hs passou um barco regional menor, que ap\u00f3s alguma hesita\u00e7\u00e3o aceitou dar socorro. Amarramos o barco \u00e0 reboque e depois que embarcamos soubemos que eles quase n\u00e3o pararam devido ao medo.&nbsp;&nbsp;Carregavam um grande estoque de melancia e iam para Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o era uma sujeira s\u00f3. Nos acomodamos da melhor maneira poss\u00edvel no ch\u00e3o imundo e tentamos dormir. De vez em quando \u00e9ramos incomodados por algum tipo de insetos, como besouros e afins, o que nos permitia dar apenas alguns pequenos cochilos. Como travesseiro usamos uma garrafa de Coca-Cola vazia (de pl\u00e1stico), que revez\u00e1vamos de tempos em tempos. Um mart\u00edrio!<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente chegamos \u00e0s 3:00hs da manh\u00e3, num local chamado de Manaus Moderno, que nada faz jus ao nome, devido \u00e0 sujeira e aglomera\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es. Foi uma dificuldade acharmos um local para ancorar. Deixamos dois companheiros tomando conta do barco e fomos procurar socorro.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do hor\u00e1rio, conseguimos pegar um t\u00e1xi e fomos \u00e0 casa do Sab\u00e1 para pegar seu carro, de onde fomos \u00e0 marina e embarcamos no Miss Bebel rumo \u00e0 Manaus Moderno, para resgatar nosso barco. Essa opera\u00e7\u00e3o durou aproximadamente 2 horas, e chegamos de volta \u00e0 marina \u00e0s 6:00hs da manh\u00e3. Quase 24 horas de aventura tinham se passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas atribula\u00e7\u00f5es fazem parte do dia a dia de quem pretende prestar um bom servi\u00e7o aos seus clientes em busca de novos pontos. \u00c9 evidente que existe uma estrutura em Manaus que est\u00e1 constantemente em contato com pescadores das diversas&nbsp;&nbsp;regi\u00f5es e comunidades,&nbsp;&nbsp;em busca de informa\u00e7\u00f5es de novos pesqueiros. Essa \u00e9 apenas uma das in\u00fameras facetas que fazem parte da log\u00edstica de uma bem sucedida pescaria no Amazonas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o turista desembarca no aeroporto de Manaus, sua maior expectativa \u00e9 ir logo para o barco e dar in\u00edcio \u00e0 viagem que o levar\u00e1 ao encontro dos tucunar\u00e9s, esquecendo o desconforto e cansa\u00e7o da viagem. 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