{"id":1149,"date":"2006-07-15T16:07:10","date_gmt":"2006-07-15T19:07:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/?p=1149"},"modified":"2021-10-08T14:12:43","modified_gmt":"2021-10-08T17:12:43","slug":"jacare-acu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/jacare-acu\/","title":{"rendered":"Jacar\u00e9 A\u00e7\u00fa"},"content":{"rendered":"\n<p>Numa dessas noites m\u00e1gicas, est\u00e1vamos discutindo a veracidade da exist\u00eancia da Boi\u00fana, cobra grande com chifres, quando chegou de repente, vindo do nada, um morador da regi\u00e3o em sua piroguinha, t\u00e3o rasa que n\u00e3o sabemos como suporta o peso de um homem sem afundar. A conversa mudou de rumo, e papo vai, papo vem, \u201cseu Ti\u00e3o\u201d(nosso visitante) come\u00e7ou a contar seu \u201ccauso\u201d. Dizia-nos ele que de algum tempo pra c\u00e1, come\u00e7aram a sumir animais de sua cria\u00e7\u00e3o, na sua maior parte porcos e galinhas. Deixaram a princ\u00edpio por conta de alguma sucuri, comum na regi\u00e3o, mas a coisa foi tomando vulto e a preocupa\u00e7\u00e3o aumentando, pois s\u00f3 de crian\u00e7a pequena ele tinha cinco. E se o bicho resolvesse mudar de card\u00e1pio? Assim pensando, combinou com a parentada dar tocaia \u00e0 fera.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabiam que os ataques se davam \u00e0 noite, pois s\u00f3 davam f\u00e9 da falta de cria\u00e7\u00e3o ao amanhecer. Durante o dia nunca deram por falta de nada. Fato sabido, come\u00e7avam a ca\u00e7a depois do anoitecer, quando a lua j\u00e1 descansava de sua jornada (segundo \u201cseu Ti\u00e3o\u201d,uma hora depois de aparecer). Sa\u00edam sempre em tr\u00eas piroguinhas, a uma distancia de uns 50ms entre elas, para que desse tempo de uma socorrer a outra, se preciso. Um dia, dois, e nada. Parece que o bicho adivinhava e n\u00e3o dava as caras. Passou-se uma semana, e por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, os ataques cessaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 do ser humano, a vigil\u00e2ncia relaxou, e por tr\u00eas dias nada mais aconteceu. \u201cSeu Ti\u00e3o\u201dconvidou ent\u00e3o seu primo, o Cirino, a matar uma paca para refor\u00e7ar a dispensa. Sa\u00edram \u00e0 mesma hora do descanso da lua, s\u00f3 que dessa vez os dois numa \u00fanica canoa. Iriam at\u00e9 um igarap\u00e9 conhecido para barranquear o animal. Na frente ia o Cirino, remando, e logo atr\u00e1s \u201cseu Ti\u00e3o\u201d, com uma lanterna e uma espingarda velha, mas que ainda dava um bom \u201cpapouco\u201d, segundo ele. Mal tinham navegado uns 100 metros, um mal estar tomou conta do Cirino, um arrepiozinho chato, segundo ele. Comentou com o companheiro e ficou por isso mesmo. Mais umas remadas e \u201cseu Ti\u00e3o\u201d, que tinha acabado de matar uma CABA insistente (marimbondo grande que \u00e9 atra\u00eddo pela luz, e s\u00f3 ferra quando se sente amea\u00e7ado), ouviu um bufar surdo \u00e0s suas costas. Virou-se r\u00e1pido para tr\u00e1s, com o instinto agu\u00e7ado de caboclo, e viu as fauces do inferno vir em sua dire\u00e7\u00e3o. Instintivamente, levou o cano da arma para o monstro e disparou, sem fazer mira. Formou-se uma tempestade ao redor da embarca\u00e7\u00e3o, com os estertores da fera em agonia, que s\u00f3 n\u00e3o virou devido \u00e0 habilidade dos canoeiros e os anjos da guarda, que estavam de plant\u00e3o. Depois de muita luta, embarcaram o bich\u00e3o e voltaram para a vila, para dar as boas novas aos parentes . Tinham sem querer resolvido o enigma do sumi\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o. Era sem d\u00favida aquele animal o objeto da persegui\u00e7\u00e3o que tinham feito at\u00e9 ent\u00e3o sem sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>-Pois \u00e9, seu mo\u00e7o! A besta tinha no m\u00ednimo uns 6 metros, disse o Ti\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia calada esperando o fim da est\u00f3ria. Quem quiser ver \u00e9 s\u00f3 ir l\u00e1 em casa. Foi ontem que pegamos o bicho.<\/p>\n\n\n\n<p>Como t\u00ednhamos compromisso com o pessoal que estava conosco pescando, al\u00e9m de n\u00e3o ser conveniente abandonar o barco por muito tempo, lamentamos com o Ti\u00e3o n\u00e3o podermos ir, mas ele n\u00e3o se conformou com nossa recusa e despediu-se meio carrancudo, afastando-se t\u00e3o r\u00e1pida e silenciosamente como tinha chegado.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, ap\u00f3s o pessoal sair para a pesca, por volta das 9:00hs, vimos ao longe o barco do Ti\u00e3o vir em nossa dire\u00e7\u00e3o. Chegou todo sorridente, trazendo um grande volume coberto por trapos. Ao atracar, retirou os panos da carga e para nosso espanto vimos a maior cabe\u00e7a de jacar\u00e9 que poder\u00edamos imaginar. Ele havia feito quest\u00e3o de provar sua est\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas e outras \u00e9 que jamais podemos duvidar dos \u201ccausos\u201de lendas do Amazonas. Quem garante que n\u00e3o existam mesmo as cobras monstruosas e outras apari\u00e7\u00f5es que povoam o imagin\u00e1rio popular da regi\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O mais interessante de tudo \u00e9 verificar como n\u00f3s, da cidade, podemos ficar t\u00e3o insens\u00edveis \u00e0s belezas e coisas pitorescas da natureza. Deixamos a cabe\u00e7a desse jacar\u00e9 na entrada do barco, para que todos pudessem ver quando voltassem da pescaria, no hor\u00e1rio do almo\u00e7o. Acreditem se quiser, mas n\u00e3o houve ningu\u00e9m que se dignasse a dar uma paradinha para olhar. Afinal, ali n\u00e3o estava uma lagartixa\u2026 Esses \u201cpescadores\u201d estavam mais interessados em almo\u00e7ar e logo sair para preencher a COTA.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/cabecajacare.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"418\" src=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/cabecajacare.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1150\" srcset=\"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/cabecajacare.jpg 448w, https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/cabecajacare-300x280.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><figcaption>Essa \u00e9 a foto da cabe\u00e7a do jacar\u00e9. Tirem suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es\u2026<\/figcaption><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa dessas noites m\u00e1gicas, est\u00e1vamos discutindo a veracidade da exist\u00eancia da Boi\u00fana, cobra grande com chifres, quando chegou de repente, vindo do nada, um morador da regi\u00e3o em sua piroguinha, t\u00e3o rasa que n\u00e3o sabemos como suporta o peso de um homem sem afundar. A conversa mudou de rumo, e papo vai, papo vem, \u201cseu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-materias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1149"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1151,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions\/1151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pescanordeste.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}